EPÍSTOLA (Ef 2, 4-10)

(Pe. Ignácio, dos padres escolápios)

INTRODUÇÃO: Esta perícope é um hino à misericórdia divina que constitui uma declaração dogmática da forma em que Deus planejou a nossa redenção: A fé é a única condição que exige do homem um Deus que é todo amor e misericórdia. Paulo o define como rico na mesma pelo imenso amor que nos manifestou. Não escolheu unicamente um homem para uni-lo à sua divindade, mas nesse homem, Deus vê todo homem que acredita ser seu salvador; e assim, juntamente com ele, os fará partícipes de sua glória, ou se quisermos de sua família. Somos filhos no Filho, como diz João: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome (Jo 1, 12).

A MISERICÓRDIA DIVINA: Pois o Deus sendo rico em misericórdia pelo muito amor dele que nos amou (4), e estando nós mortos pelas culpas, deu-nos a vida por Cristo: de graça sois salvos (5). Deus autem qui dives est in misericordia propter nimiam caritatem suam qua dilexit nos. Et cum essemuador que um presens mortui peccatis convivificavit nos Christo gratia estis salvati. RICO [plousios<4145>=dives] é um adjetivo que indica abundância de bens materiais, especialmente de posse de moedas com as que manifestarem suas economias, como em Mc 12, 41: Estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos (plousioi) deitavam muito. Temos o relato do jovem que era muito rico [plousios sfodra] (Lc 18, 23) porque tinha muitas propriedades. EM MISERIDÓRDIA [en eleei<1656>=in misericordia]: eleos sigifica boa vontade para com o miserável  ou aflito, unida ao desejo de socorrê-lo. No  hebraico, é o Hesed <02617> que a Setenta traduz por eleos como em l Cr 19, 2: Então disse Davi: Usarei de benevolência [hesed=eleos] com Hanum, filho de Naás, como seu pai usou de benevolência [hesed=eleos] comigo. No AT hesed está frequentemente unida a emeth formando uma expressão que define o caráter divino com respeito ao homem no seu estado de queda, como lemos em Gn 24, 27: Bendito seja o SENHOR Deus de meu senhor Abraão, que não retirou a sua benevolência e a sua verdade de meu senhor. A frase Paulina é uma cópia dessa definição que Jahveh deu de si mesmo em Êx 34, 6: Eu sou o Senhor! O Senhor Deus misericordioso e compassivo, paciente e grande em benevolência e verdade [we rabhesed we emeth= polyeleos kai alëthinos]. A frase hesed we emeth se repete continuamente no AT para ser acolhida como definição do Filho, no prefácio de João 1 14: E vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade [plërës charitos hai alëtheias] cuja tradução mais correta seria: cheio de benevolência e fidelidade. Esse Salvador que foi um presente de Deus para os homens de sua eudokias [benevolência] (Lc 2, 14). Ou se quisermos essa benevolência é entranhas de mãe, que J. P. II explica em sua primeira encíclica Dives in misericordia, influenciado pela mensagem de S Faustina Kowalska para o terceiro milênio, segundo mandato do próprio Jesus, escrito no Diário da Divina Misericórdia, donde a futura santa narra as revelações de Jesus para o século futuro. E Paulo continua afirmando que essa misericórdia não foi uma ideia abstrata; mas se realizou na prática através do amor. Porque estávamos nós mortos pelas CULPAS [paraptömasin<3900>=peccatis]. A palavra paraptöma significa originalmente cair ao lado de alguém. Mas nunca é tomada neste significado. Porém, no significado figurado, que é o usual, denota queda, desvio da verdade e da honestidade: logo uma transgressão, que se diferença de amartëma [pecado] em que este é dirigido contra a lei de Deus e paraptöma pode ser contra qualquer lei ou mandato, como no Pai nosso: se perdoardes aos homens as suas ofensas [paraptömata=debita] também vosso Pai celestial vos perdoará a vós (Mt 6, 14). No lugar paralelo de Lucas (11, 4) em vez de paraptomata temos amaratiai [<266>=peccata.[Pois apesar dos pecados, transgressões ou desobediências dos homens Deus nos amou- dirá Paulo. E como prova desse amor, nos deu vida juntamente com Cristo. Mas o mais admirável é que essa predileção foi DE GRAÇA [chariti<5485>=gratia]: é o dativo de charis de significado favor, mercê,  dom gratuito não devido, como lemos em Lc 1, 30: Não tenhas medo, Maria, pois foste favorecida por Deus. SOIS SALVOS [sesösmenoi<4982>=estis salvati] e o particípio perfeito do verbo sözö: resgatar, salvar, preservar, como vemos em Mt 18, 11: o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido. A salvação é da morte pelo pecado porque ele salvará o seu povo dos seus pecados (Mt 1, 21), recebendo por isso o nome de Jesus [Salvador]. Morte segundo Paulo como consequência do pecado segundo o que escreve Paulo: Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte (Rm 5, 12). Morte que será definitiva e que no apocalipse é chamada de segunda morte caso não existir arrependimento (Ap 20, 6). Esta salvação não é devida a méritos ou obras boas mas é uma mercê gratuita de Deus.

RESSURREIÇAO E GLORIFICAÇÃO: E nos ressuscitou com Ele e nos sentou no mais altos céus em Cristo Jesus (6). Et conresuscitavit et consedere fecit in caelestibus in Christo Iesu. Como efeito necessário a esta salvação, temos duas mercês: ressurreição e glória juntamente com Cristo, como produto de sua vitória sobre o pecado e a morte, esta a última inimiga a ser derrotada (1 Cor 15, 16). Para isso, primeiro manifestou o seu poder ressuscitando Cristo dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus (Ef 1, 20). E como somos filhos no Filho (Jo 1, 12) temos o mesmo destino deste último: ressurreição e trono nos céus. Esse trono será especial para os doze apóstolos como prometeu Jesus: Quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel (Mt 19, 28).

COMO MANIFESTAÇÃO: Para manifestar nas idades vindouras a excessiva riqueza da sua caridade em benignidade por nós em Cristo Jesus (7). Ut ostenderet in saeculis supervenientibus abundantes divitias gratiae suae in bonitate super nos in Christo Iesu. MANIFESTAR [endeixëtai<1731>=ostenderet] aoristo subjuntivo de endeiknymi de significado demonstrar, expor, exibir, revelar, manifestar. IDADES [aiösin<165>=saeculis] no grego, dativo plural de aiön, período longo de tempo, era, idade, que no latim é traduzido por saeculus ou sáeculi em plural e que em vernáculo conserva a tradução latina como séculos. Ao falar de vindouros indica que é uma demonstração futura definitiva; e assim o traduz para sempre a Portuguesa Corrigida Fiel (ACF). A manifestação é da RIQUEZA [plouton] que concorda com o início desta perícope [rico em misericórdia] a qual a chama de EXCESSIVA [yperballonta<5235>=abundantes] particípio presente de yperballö de significado ultrapassar como em 2 Cor 3, 10: A glória que brilhou no passado não se compara com a glória atual, que é muito maior. Porque, se o ministério da condenação foi glorioso, muito mais excederá em glória o ministério da justiça (idem 9). Daí a tradução excessiva que outros traduzem por suprema. BENIGNIDADE [chrëstotës<5544>=bonitas]. É o que encontramos em Tt 3, 4: Quando apareceu a benignidade [chrëstotës] e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens. Como vemos, pela citação de 2 Cor 3, 9, Paulo distingue entre o ministério de Moisés que ele chama de condenação [kayakrideös] e o da justiça [dikaiosynës]. O primeiro não levava à vida e ao perdão. O segundo é o que dá a justificação ou justiça, transformando o homem em justo diante de Deus. E essa justificação é salvação, vida e glorificação em Cristo Jesus.

SALVOS POR GRAÇA: Porque por mercê fostes salvos por meio da fé e isto não de vós, presente de Deus (é) (8). Gratia enim estis salvati per fidem et hoc non ex vobis Dei enim donum est. MERCÊ [charis<5485>=gratia]. Paulo não deixa de afirmar repetidamente que  justificação e suas consequências, ressurreição e glorificação, têm como base a bondade divina, que gratuitamente nos salva por amor  que tem como raiz o sacrifício do Filho e não as obras da lei. É pela FÉ no batismo e não pela circuncisão. Eis uma amostra entre tantas: Pela sua bondade imerecida, Deus os justifica gratuitamente por meio de Jesus Cristo que os libertou do poder do pecado (Rm 3, 24). Porque estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos. Ef 2,5). E finalmente, em 2 Tm 1,9: Nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos. A única condição é que confiemos na sua misericórdia, ou seja, a FÉ [pistis<4102>] a que Jesus demandava para curar o doente: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê (Mc 9, 23). Assim dirá Jesus à mulher hemorroisa: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz (Lc 8, 48). Dirá Paulo: Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós (Rm 4, 16). Tudo o qual confirma em Rm 5.2: Foi por meio de Cristo e pela fé que nós conseguimos esta harmonia com Deus que agora temos. E isso dá-nos a maravilhosa esperança de tomar parte na glória de Deus. Se Deus unicamente pede a fé ou confiança no seu poder, realmente é um PRESENTE [döron<1435>=donum] dádiva gratuita de Deus. Ele oferece o perdão e salvação. De nossa parte pede fé, confiança e entrega a essa proposta divina completamente gratuita de salvação. É, pois, um presente totalmente gratuito de Deus que aceitamos pela fé no momento do batismo.

SEM OBRAS: Não por obras, para que ninguém se glorie (9). Non ex operibus ut ne quis glorietur. Essas obras são as obras da Lei [Torah] como vemos em Rm 3, 20: Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei. E Paulo explica o efeito da Lei: Pela lei vem o conhecimento do pecado (idem). Para deduzir: Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei (Rm 3, 28). E em Rm 11, 6 declara: Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra. E uma vez afirmada a gratuidade da justificação, Paulo se atreve a estabelecer a razão dessa graça: Para que ninguém se glorie, como ele escreve em 1 Cor 29-31: Para que nenhuma carne se glorie perante ele…. como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor (Jr 9, 23-24). Pois Ele nos salvou e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos (2 Tm 1,9). Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo (Tt 3, 5).

CRIADOS EM CRISTO: Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas (10). Ipsius enim sumus factura creati in Christo Iesu in operibus bonis quae praeparavit Deus ut in illis ambulemus. Paulo explica agora a intervenção da providência como se fosse uma nova criação feita por Cristo Jesus. FEITURA [poiëma<4161>=factura] é uma obra, uma criatividade ou produção como diz Paulo em At 17, 28: Somos também sua geração [genos] e desta semelhança com Deus (a sua imagem e semelhança em Gn 1, 26) somos feitos novas CRIATURAS [ktisthentes<2936>=creati] em Cristo Jesus. Ktisthentes é o particípio aoristo do verbo ktizö de significado criar como em Mc 13, 19 Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação [ktiseös] , que Deus criou [ektisen], até agora. Paulo, pois, vê uma nova criação na figura de Jesus Cristo, a cuja imagem é feito o cristão como diz Paulo: Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós ( Gl 4:19). Com efeito –dirá Paulo- todos os que foram batizados em Cristo revestiram-se das qualidades de Cristo. E não só qualidades anímicas, mas também corpóreas: Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? (1 Coríntios 6, 15). João fala de novo nascimento: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus (Jo 3, 3). Para esse novo homem, Deus preparou boas obras, segundo o que Paulo afirma: Sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Rm 8, 28).

EVANGELHO (Jo 3, 14-21)

DIÁLOGO COM NICODEMOS

( Pe Ignácio, dos padres escolápios)

NICODEMOS: Provém do grego e significa vitorioso sobre o povo. Impressiona que sendo um fariseu e contado como um dos líderes [archön <758>] dos judeus [princeps Iudaeórum], mestre em Israel, tenha que se encontrar com Jesus de modo reservado. Nem todos os fariseus foram raça de víboras. O próprio Paulo se gloria de pertencer a essa classe. Não está disposto a se desprender de tudo o que foi sua vida anterior, como a Lei, a Tradição, sua posição dentro do Sinédrio; mas a postura de Jesus no templo e os fatos extraordinários de Jesus o deixam desorientado. O único evangelista que cita o nome é João e além desta perícope sai em 7, 50-52 defendendo a pessoa de Jesus que devia ser julgado antes de ser condenado, e em 19, 39-40 ajudando a José de Arimateia no sepultamento de Jesus. Nicodemos está convencido que o poder de Jesus provinha de Deus sendo que sua mensagem era a palavra de um profeta. Nicodemos, insatisfeito com a atuação dos colegas no Sinédrio, quer saber dos lábios de Jesus, as novas que ele anunciava. Sem dúvida que a sua pergunta era como entrar no Reino que Jesus proclamava. A resposta de Jesus foi desconcertante: Precisava-se de um novo nascimento. E então o douto fariseu fica ainda mais confundido: Como pode isto acontecer? (Jo 3, 9). No fim da entrevista, o mestre Nicodemos confia sua vida ao Mestre Jesus no qual busca a Verdade para encontrar o Caminho que o conduza à Vida. O critério de Nicodemos é o único a se seguir em contato com Deus: A Transcendência, ou se quisermos traduzir em palavras mais inteligíveis, a Sobrenaturalidade dos fatos dos quais somos testemunhas oculares, ou ouvintes diretos dessas testemunhas, constituídos em ministros da Palavra, como narra Lucas no prólogo (Lc 1, 1). Essa sobrenaturalidade dos fatos demonstra a existência de uma causa superior à Natureza. Uma causa, razão de todas as causas ou causa causantis como dirá a escolástica. Esses fatos constituem os verdadeiros sinais dos tempos (Mt 16, 3) que encontraremos na vida de cada um de nós se tomarmos tempo para investigar e refletir. {nota: a Bíblia de Jerusalém diz que esses sinais são os milagres que Jesus opera}. Anteriormente a esta perícope de hoje Nicodemos fez três perguntas a Jesus nos versículos 2, 4 e 9: A verdade como Mestre; como é possível o novo nascimento e como é o nascimento no Espírito. A todas elas responde Jesus com uma ênfase extraordinária: Em verdade, em verdade eu te digo.

A SERPENTE: Pois assim  como Moisés içou a serpente no deserto, da mesma forma será içado o Filho do Homem (14). Et, sicut Móyses exaltávit serpéntem in desérto, ita exaltári opórtet Fílium hóminis. IÇOU: O verbio usado em grego é ypsôsen[<5312>=exaltavit ] alçar, erguer, içar (enarbolar espanhol)  não um simples levantar, mas um mostrar no alto para que todos pudessem ver o objeto ou pessoa que merecia tal honra ou reverência. Sabemos muito bem que a serpente que estava na arca teve que ser destruída, pois a reverência se tornou adoração com o tempo, apelidando-a de Noestã [a feita de bronze] (2 Rs 18, 4). Em Nm 21, 9 se diz que Moisés colocou a serpente sobre um poste ou haste. Porém, nos targuns [glosas em aramaico do texto hebraico] a serpente foi colocada num lugar elevado. O grego usa a haste  como se fosse o pau de um estandarte, que também é usado para sinal. Logo o alçamento de Jesus é o sinal e o estandarte da nova Aliança. É o sinal do Filho do homem que Mateus refere como estandarte da parousia (Mt 24, 30), que será o sinal da derrota para os inimigos que não o aceitaram em vida; e vitória e gozo para os que em vida viveram à sua sombra. Um midrash [explicação popular com propósitos didáticos], sobre o assunto da serpente, diz: Tinham um símbolo de salvação como memorial do mandato de tua Lei. Com efeito: o que se voltava para ele sarava, não em virtude do que via, mas graças a ti, Salvador de todos. E continua: olhar a serpente significa voltar o coração para a memrá [palavra] de Deus. {nota: ver memrá em Exegese número 68 de presbíteros.com.br}. O próprio João evangelista declara em 12, 32: Porque se  eu for alçado [mesmo verbo ‘ypsoô] da terra, arrastarei todos a mim. Et ego, si exaltátus fúero a terra, ómnia traham ad meípsum. Evidentemente no segundo caso tratava-se da morte na cruz, como comenta o mesmo evangelista, indicando de que morte deveria morrer. DEVE: Um segundo verbo cuja importância deve ser aclarada é o verbo dei <1163>  um impessoal que é traduzido por must [é necessário] ao inglês e que o latim traduz por oportet [é conveniente, sem excluir a necessidade]. A tradução IT diz: deve essere innalzato indicando uma obrigação tanto natural como moral. O grego distingue entre chrê <5534> uma necessidade física, enquanto dei denota essa obrigação que provém de um desígnio divino, como é nosso caso. Cremos nisso porque está mais de acordo com o pensamento que Jesus quis transmitir a Nicodemos. O FILHO DO HOMEM: é uma expressão semítica que em princípio designa um membro da comunidade humana. No livro de Daniel se transforma numa figura simbólica que representa o povo dos santos de Jahvé (Dn 7, 18+) no seu triunfo sobre os reinos pagãos. Isto não impede que se concentre na figura do chefe, ou rei e que adquira um valor individual que tem no judaísmo intertestamentário, especialmente no livro de Henoc. Aparece no NT sempre em boca de Jesus, talvez sintetizando o mistério de sua individualidade ao mesmo tempo humana e divina. Porém muitas vezes está no sentido do eu ou a gente como se diz em linguagem de modesta humildade. É neste sentido de eu que aparece aqui no diálogo de Nicodemos, pois não existe relação alguma com lugares que possam relacioná-lo com a passagem de Daniel e é mais apropriado de Is 51, 12: quem te julgas para temer o filho do homem cujo destino é o da erva?

FÉ E VIDA: a fim de que todo o que crê nele não seja destruído, mas tenha vida eterna (15). Ut omnis qui credit in ipsum non péreat, sed hábeat vitam aetérnam.  DESTRUIDO: O verbo perecer, apollymi <622> significa seja destruído que traduzem por perecer como voz media, que tanto o latim como as traduções vernáculas adotam. O verbo é usado pelos quatro evangelistas no sentido de matar, ou destruir, perecer e até perder o caminho como no caso de uma ovelha desgarrada (Mt 15, 24 e 18, 14). A  vida, quando declarada eterna, é a que Jesus dá como garantia; pois dela é sua ressurreição, suprema prova e penhor; e se antecipa neste mundo com a união pelo batismo e fé com sua pessoa (Rm 6, 4) e que João afirma que é a vida do Logos que gozava junto com o Pai e que foi manifestada no homem Jesus (1 Jo 1, 2). Estando esta vida no Filho, quem tem o filho tem a vida e quem não tem o filho de Deus, não tem a vida. E essa vida é a dos que creem no nome [pessoa] do Filho de Deus (1 Jo 5, 11-12). Esta vida eterna é a primeira vez que o evangelista usa como expressão e que afirma seria o dom do Espírito para todos os que nele creem. A vida eterna é a vida dos filhos de Deus, vida gerada do alto, gerada pela infusão do Espírito, comunicada como fonte de vida por Jesus a todos os que nele acreditam, na sua cruz de modo especial, para alcançar a salvação, como era devolvida a saude aos que olhavam a serpente com esperança de cura.

O AMOR DO PAI: Pois desse modo amou [êgapêsen] (o) Deus o mundo até o ponto que deu o Filho dele, o unigênito, para que, todo aquele que crê  nEle, não esteja perdido, mas tenha vida eterna. Sic enim Deus diléxit mundum, ut Fílium suum unigénitum daret, ut omnis qui credit in eum non péreat, sed hábeat vitam aetérnam. AMOU: O aoristo grego êgapêsen, indica uma ação pontual intensa passada, que talvez fosse melhor traduzida por tem amado porque Jesus está descrevendo uma ação passada como é a Encarnação, que continua em sua pessoa e que terminará com a entrega de Jesus à cruz para satisfação de seus inimigos, mas na realidade para o triunfo de Jesus e dos seus como diz João em 16, 20: Em verdade vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós estareis tristes mas vossa tristeza se tornará em alegria. Por isso, Paulo afirma que poderá gloriar-se na cruz de Cristo, que representa o amor de Deus ao mundo e do qual nenhum sofrimento ou mal poderá afastá-los (Rm 8, 1-35). E tornará a afirmar: Longe esteja de mim gloriar-me senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo (Gl 6, 14). O MUNDO: Segundo João esta palavra tem dois sentidos diferentes. 1o) Um geral como o conjunto dos homens que vivem na terra: Saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e volto ao Pai (16, 28). 2o) Um outro é o conjunto dos homens que estão dirigidos pelo que Jesus chama o príncipe do mundo, contrário a Jesus. Evidentemente ele era o mesmo que ofereceu a Jesus os reinos do mundo com o seu esplendor (Mt 4, 8). Por isso, dirá Jesus: Agora é quando vai ser julgado este mundo; agora o príncipe deste mundo vai ser lançado fora (Jo 16, 28). E é precisamente a este mundo inimigo, que Deus entregou seu Filho. O amor de Deus ao seu inimigo, o mundo, é uma extraordinária revelação que jamais homem algum poderia suspeitar, e que implica toda uma política ou providência revolucionária. É uma revelação básica para as atitudes homem/Deus que emolduram toda a história humana após a Encarnação. Deus dá o primeiro passo para salvar o homem dando-se integramente e sofrendo os caprichos dos piores inimigos para demonstrar que ele não tem ninguém como adversário, mas que, como Pai, todos são seus filhos. E, portanto, pune o inocente, tornando-o  pecado (2 Cor 5, 21), para não ter que castigar todos os culpados. UNIGÊNITO: [monogenês <3439>] é o unigênitus latino que aparece unicamente no evangelho de João somente nos três primeiros capítulos (1, 14.18 e 3, 16.18). Os outros evangelistas preferem o agapetós [o amado]. Talvez esta escolha de João seja totalmente propositada para debelar o demiurgos dos gnósticos como vemos em exegese no  68 de presbíteros.com.br. Com o monogenês não existe dúvida nenhuma sobre a origem de Jesus e sua vida anterior no seio do Pai, comparando seu estar dentro dele ao seio de uma mulher, no qual o sêmen se desenvolve até germinar e no futuro ser independente. A teologia dirá que esta geração não é um ato pontual, mas um ato eterno sem princípio nem fim. Nesse seio, o Logos aprendeu os planos divinos sobre a sua histórica entrada no círculo do mundo dos seres humanos. Daí sua sabedoria podendo afirmar: A Deus ninguém jamais viu; o Filho Único que está no Pai nos deu a conhecer (Jo 1, 18). E essa história humana se centra na hora em que, temida, mas desejada (Jo 12, 27), centra a sua vinda, que é um sacrifício de amor ao Pai e de misericórdia para com os pecadores. Essa hora, ao mesmo tempo em que de profunda prostração, é a hora de sua glorificação: É chegada a hora em que o Filho do Homem será glorificado (Jo 12, 23) com uma ação que repetirá Pedro [talvez o único entre os apóstolos] segundo Jesus o prediz, e que o evangelista apostila como sendo o gênero de morte que daria glória a Deus (Jo 21, 19). A cruz é, pois, o sinal de Vitória. Poderemos apropriar todos os cristãos do título visto por Constantino antes da batalha da ponte Milvio: in hoc signo vinces [baseado neste signo vencerás]  A FÉ: João repete neste versículo a mesma conclusão do anterior como para reafirmar uma insólita proposta. Se no versículo 15 era com ocasião do exemplo da serpente, como para dizer que Deus pode fazer com o ser inteiro o que realizou com os corpos dos israelitas, agora é pelo amor de Deus que facilita enormemente a salvação. A fé no Filho como salvador é necessária para a salvação.

O ENVIO: Pois não enviou (o) Deus o Filho dele ao mundo para que condene [krinë <2919>] o mundo, mas para que se salve o mundo por ele (17).  Non enim misit Deus Fílium suum in mundum ut iúdicet mundum, sed ut salvétur mundus per ipsum. Num crescente paralelo como se fossem ambos os versos de um poema antitético com um versículo segundo, em oposição. O primeiro hemistíquio é para indicar o fim positivo do envio; o segundo, após a cesura,  declara o fim negativo. Foi enviado (1o)  para os que nele creem tenham a vida eterna e (2o) para indicar que não foi para condenar. O verbo Krinô tem dois sentidos usados indistintamente, com o significado de  julgar (1o) ou  com a acepção semântica de condenar (2o). Aqui, como na maioria dos casos dos evangelhos, o verbo Krinô deve ser tomado na acepção de condenar, pois esta é a palavra oposta a salvar e o hemistíquio a exige em comparação com o primeiro verso do dístico. E não somente Jesus não é o juiz que considera o mundo como réu, mas é o Salvador. Essa é sua missão. Daí que as últimas palavras que ele pronuncia na terra têm um valor extraordinariamente profundo: Pai perdoa-lhes porque não sabem o que estão fazendo (Lc 23, 34). Uma reflexão a mais para terminar: a missão de Jesus não era uma missão solitária, mas solidária com o envio do Pai. Ambos estão empenhados em demonstrar que o bem sempre é mais forte que o mal e que a vitória do bem se dá na base do perdão e do acolhimento do pecador. Vence o mal com o bem que dirá S Paulo (Rm 12, 21) e donde abundou o pecado mais superabundou a misericórdia (Rm 5, 20). A lógica do amor [charis] divino é tão mais imensamente abundante que a lógica da verdade ou fidelidade [aletheia]. Assim dirá João no prólogo que no lugar da Lei [que produz naturalmente a condenação] a graça [charis] e a fidelidade [aletheia] vieram por Jesus Cristo (Jo 1, 17).

O JULGAMENTO: O crente nele não é condenado; mas o não crente já está condenado, porque não há acreditado no nome [onoma <3686>] do unigênito Filho (do) Deus (18). Qui credit in eum non iudicátur, qui autem non credit iam iudicátus est, quia non credit in nómine unigéniti Fílii Dei. É uma solução que salva o amor do Pai, o sacrifício do Filho e pune em seu pecado os que não querem se salvar. Rejeitar o Filho Único de Deus é rejeitar a salvação e por isso eles já são condenados. O NOME: No mundo semita o nome se identifica quase com o mesmo ser de uma pessoa ou de uma coisa. Deus revelando o seu nome revela todo o seu poder e grandeza (Gn 32, 30). Qual era o nome de Jesus? Pois o nome por excelência é o de Jesus [Salvador, ou melhor, Deus salva], porque ele salvará o seu povo de seus pecados (Mt 1, 21). A lógica da verdade evangélica é tremendamente irresistível.

COMO SERÁ ESSA CONDENAÇÃO: Esta é, pois, a condenação: porque a luz [fös <5457>] tem chegado ao mundo e amaram [ëgapësan <25>] os homens mais a escuridão [skotos <4655>] do que a luz. Porque eram más [ponëra <4190>] suas obras (19). Hoc est autem iudícium, quia lux venit in mundum, et dilexérunt hómines magis ténebras quam lucem; erant enim eórum mala ópera. Vamos explicar cada palavra, porque veremos o verdadeiro sentido sabendo o significado do conjunto. Na Bíblia no AT a palavra LUZ é a que dá origem a ação de Deus no princípio do Universo. Separou a luz das trevas (Gn 1, 3). Como tal, a luz é uma criatura, mas de tal beleza que é a imagem de Deus como verdade que ilumina o mundo e da sua bondade (Sb 7, 16). É também símbolo de vida. Tobias dirá, uma vez cego, vivo entre trevas como os mortos. Sou um vivo entre os mortos (Tb 5, 10). Os preceitos do Senhor são luz (Sl 5, 6 e Pr 6,3). Confundir o bem e o mal é trocar as trevas por luz (Is 2,5). O povo judeu, ou o profeta,  é luz das nações (Is 42, 6). O direito ou Lei do Senhor é luz dos povos (Is 51,4). Deus mora no meio da luz (Dn 2, 22). No NT a luz profetizada por Isaías é o próprio Jesus (Mt 4, 16). Os discípulos serão a luz do mundo através de seus testemunhos (Mt 5, 14). Os filhos das trevas são mais sagazes do que os filhos da luz (16, 8). O Logos encarnado é a luz: Existe a luz verdadeira que com sua vinda ao mundo ilumina todo homem (Jo 1,8) e logicamente ela é Jesus, do qual João era testemunha (Jo 17-8). Jesus solenemente afirma ser a luz do mundo para não caminhar nas trevas, mas ter a luz da vida (Jo 8, 12). Crer na luz é se tornar filho da luz (Jo 12, 36). Quem crê em Jesus não fica nas trevas (Jo 12, 46). A palavra amaram [egapesan] pode ser traduzida por preferiram, já que a pobreza da semântica hebraica não distingue os cinzas e só fala em branco e preto: amar-odiar. A razão desta preferência não é a verdade que emana da luz, mas as trevas que suscitam as obras perversas ou malvadas que eles cometem e que não aguentam a condenação que oferece a verdade da luz. A palavra ponera em plural indica uma obra feita com maldade, perversa, muito mais forte que o kakos, simples ausência do bem e presença do mal. Ponerós indica, pois, uma obstinação após uma aberração em conduta.

A PREVARICAÇÃO DAS OBRAS DO MAL: Já que todo (o) praticante de coisas desprezíveis [faula<5337>] odeia a luz e não vêm à luz, para que não reprove [esta] [elegthë<1651>] as obras dele (20). Omnis enim qui male agit, odit lucem et non venit ad lucem ut non arguántur ópera eius. O latim tem provavelmente induzido uma tradução errada. O elegthë é singular e não concorda em número com faula que é plural. Logo tem que ser a luz a que envergonhe, reprove ou acuse o tal praticante de obras que merecem o desprezo ou a censura pelos homens honestos ou não malvados. A tradução é pois todo aquele que pratica obras dignas de censura, odeia a luz e não se expõe à mesma, para que esta não o censure pelas suas obras indignas. É uma observação de simples sabedoria humana.

SEGUNDO DÍSTICO: Aquele, porém, praticante da verdade [alëtheian<225>], vêm para a luz, para que manifeste suas obras; porque são feitas em Deus (20). Qui autem facit veritátem venit ad lucem, ut manifesténtur ópera eius, quia in Deo sunt facta. Como temos visto anteriormente, todo este diálogo tem uma estrutura semipoética, e existem duas perícopes antepostas: a primeira negativa de quem pratica o mal e a segunda de quem pratica a verdade. Ambas têm uma prótase condicional e uma apódose explicada com diferentes razões. A primeira tem como explicação a vergonha de ser censurado pelos homens pela maldade descoberta. A segunda tem como justificação o aplauso divino ao bem realizado. Que significa aletheia? A tradução literal é verdade. Mas estamos no terreno moral e não lógico, e portanto, essa verdade deve ser considerada como retidão, o único procedimento moral que merece o apelativo de verdadeira conduta. Talvez essa correção seja a conformidade entre o pensamento e a ação, sempre fazendo o que dita a consciência, iluminada pela lei.

COMENTÁRIO: Muitos comentaristas pensam que todo este trecho evangélico é um discurso em grande parte inventado pelo evangelista como são os diálogos de Platão. De fato, podemos tirar o capítulo 3 sem que exista uma interrupção no relato evangélico entre os dois capítulos, 2 e 4. Não duvidamos de que houve um encontro de fato entre o mestre da Lei e o Mestre da Misericórdia. Sabemos que a perícope tem como ocasião a expulsão do templo dos mercadores. Mas estranha que Nicodemos tenha visto os sinais de Jesus que apontam para os verdadeiros milagres neste início de sua vida pública. E estranha que na sua primeira visita a Jerusalém Jesus tivesse feito sinais tão prodigiosos como para chamar a atenção de Nicodemos. Talvez tenhamos que retrair esta visita um pouco no tempo. Portanto a maioria aceita um diálogo suposto para dramatizar um ensinamento que não se dirige unicamente a Nicodemos, mas que abrange todo intelectual, especialmente os gnósticos, já combatidos no primeiro capítulo. Não podemos esquecer que estamos no fim do primeiro século e que a doutrina primitiva estava sendo deturpada por gnósticos e docetas, que tinham em comum a afirmação da carne como princípio do mal, oposto ao espírito, e a busca incansável da verdade como objetivo de purificação e salvação. O problema aqui é também a salvação e os meios necessários para a mesma. Nicodemos faz três perguntas que Jesus responde de modo categórico com em verdade, em verdade te digo. A resposta de Jesus implica um nascimento no Espírito, certamente aludindo ao batismo, e se apresenta como o único Mestre da Verdade, porque ele veio do Alto (13) e fala do que pode dar testemunho (11). Há uma certa ironia em Jesus ao declarar se não credes nas coisas da terra, como ireis [notar o plural] acreditar quando vos falar das coisas do céu (12)? Divagações à parte, este trecho, como temos visto, é uma lição magistral sobre a Salvação, o Salvador verdadeiro, o ato em que isto se realiza e a maneira de como os homens aceitam a Verdade oferecida por Deus. A comparação com o AT da antiga serpente, é ilustrativa de como se realizaram os planos de Deus, tendo como bandeira e sacrifício do Unigênito. Toda esta parte pode ser autêntica explicação de Jesus. O último comentário parece ser próprio do evangelista, explicando como os homens reagem a esta magnanimidade divina não aceitando a sua oferta porque as obras que realizam não são as que correspondem aos filhos da luz, que precisamente eram assim os que se chamavam os gnósticos. Os intelectuais da época estavam representados pelo mestre Nicodemos. Quais são os gnósticos do dia de hoje? Veremos nas pistas:

PISTAS:

1) As perguntas de Nicodemos são tão atuais como na sua época: Se realmente os sinais que se atribuem nos evangelhos são verdadeiros, quem é esse Jesus que necessariamente encontramos no caminho de nossa vida? Tem ele a solução de nossas perguntas e de nossos problemas, ou esperamos um outro, como perguntou João (Mt 11, 3).

2) Quais são os gnósticos modernos? Os que ainda buscam a Verdade e se dizem filhos da luz; os que deixam a razão como última luz de sua vida e a natureza como único campo de investigação. Por isso, sua reposta diante dos sinais do alto é o ceticismo, porque não é conforme à razão, ou deve ter uma explicação que agora não sabemos.

3) Entre os modernos gnósticos que seguem os passos dos antigos gregos que andam em busca da sabedoria (1 Cor 1, 22) estão os maçons. Seu deus é o deus da Teosofia, não o Deus da Teologia. Expliquemos: teósofo [de theós=deus e sofós=sábio] é o homem que tem como deus o deus da filosofia, o deus da razão, compreensível, encontrado conforme ao que pensa e pretende, ou seja, um deus conveniente e submisso às necessidades e limites da razão humana. Não é o Deus da Teologia [literalmente Deus do logos, da palavra] o Deus que se revelou em sua palavra e principalmente em sua Palavra [Logos] encarnada. Este é o Deus da fé, o Deus que confunde os argumentos humanos, precisamente com a loucura da cruz, na qual vemos o Poder e a Sabedoria de Deus como diz Paulo (1 Cor 1, 24). A diferença entre os maçons e os católicos verdadeiros é que eles buscam a verdade e nós vivemos a Verdade.

4) Os altos graus da maçonaria que é chamada invisível respondem a uma influência marcante de Helena Petrova Blavatsky [HPB] indiscutível rainha do esoterismo e que é considerada mãe de três correntes atuais de pensamento: A Sociedade Teosófica, a seita New Age  e a Internacional Socialista. Para a seita New Age, ela valeu-se da principal discípula: Alice Bailey. Para a Internaional Socialista, da segunda discípula, Annie Besant, presidenta da Sociedade Teosófica e iniciada na maçonaria feminina, membros da maçonaria de adoção antes de criar maçonaria própria, feita através da Sociedade Fabiana [de Quinto Fábio Máximo, o Cunctator, contemporizador]. Sobre New Age, podemos afirmar que é um novo modo de praticar a gnose, que definiu o Papa João Paulo II como postura do espírito que em nome de um profundo conhecimento de Deus, acaba por tergiversar sua Palavra, substituindo-a por palavras que são unicamente humanas.

5) Cuidado! Um dos autores mais vendidos e típico do New Age é  Paulo Coelho               (Maçonaria Invisível de RC. pg 622). Eis uma citação de João Paulo II: Questão à parte é o renascimento das antigas ideias gnósticas na forma chamada de New Age… A gnose não tem desaparecido nunca do âmbito do cristianismo, mas convivido sempre com ele sob as formas de correntes filosóficas, mais a miúdo com modalidades religiosas e para-religiosas, com uma decida, embora às vezes, não declarada divergência, com o que é essencialmente cristão. {Nota: pessoalmente eu tenho recebido junto com um jornal maçônico convites para entrar no teosofismo}

6) Sejamos sinceros. Escolhamos a loucura da cruz e deixemos que o poder e a sabedoria de Deus domine a nossa fraqueza para se tornar nossa sabedoria, justiça, santificação e redenção como nos escreve Paulo (1 Cor 1, 30). Pessoalmente nas minhas conversas com os maçons que aduzem como argumento religioso a seu favor a crença em Deus, eu arguo com duas interrogantes: é um deus pessoal que se revela ou é um Deus que se manifestou em Jesus? Diante disso eu não tenho recebido reposta alguma.