Rumo ao céu!

Os discípulos obedeceram a Cristo e foram para a montanha que ele tinha designado. Adoraram-no e foram enviados a anunciar o Evangelho. No dia da Ascensão do Senhor, o cristão percebe que no seu coração há um duplo movimento: o primeiro, olhar para o céu; o segundo, olhar para a terra.

Nós olhamos para o céu porque pensamos na glória de Cristo, contemplando-a na fé. Vemos no Cristo glorioso que sobe à direita do Pai toda a humanidade, a nossa humanidade. A natureza humana nunca tinha sido presenteada com tão grande dádiva, nem mesmo quando, depois de criada, tinha sido sobrenaturalmente elevada. Adão antes do pecado, por mais glorioso e cheio de dons preternaturais que fosse, perderia todo protagonismo diante da glória que irradia a humanidade santíssima de Jesus Cristo. Não obstante, o primeiro Adão era uma imagem gloriosa do que Deus queria para o homem. Já conhecemos a história posterior à criação: o homem desprezou a Deus, pecou, foi expulso do paraíso, perdeu a graça e divagou pelo mundo. Deus, no entanto, não deixou de cuidar do ser humano. Mais ainda, foi generosíssimo: decidiu embelezar novamente o homem e a mulher, mais do que antes. O segundo Adão seria mais agraciado que o primeiro. E assim foi!

Jesus é verdadeiro homem (novo Adão) e verdadeiro Deus. Como Deus, nasceu eternamente do Pai, sempre foi glorioso e essa glória não podia aumentar. Como homem, a sua humanidade foi progressivamente manifestando a glória que havia recebido do Pai. A ascensão é também o esplendor da glória, a expansão da graça e a beleza do céu manifestado no ser humano.

Diante de Cristo, que sobe aos céus, os discípulos caem por terra e adoraram a glória de Deus manifestada na carne do homem Jesus. A sadia curiosidade nos leva a observar cada um dos detalhes dessa humanidade gloriosa; vemo-nos fortemente atraídos a essa realidade e pregustamos o que seremos por toda a eternidade: filhos no Filho. Já o somos, mas essa realidade ainda deve manifestar-se em toda a sua plenitude (cfr. 1 Jo 3,2). Quando nos aventurarmos a observar os detalhes da glória, cairemos por terra: ainda não podemos! A nossa visão humana tem que receber uma ajuda divina para que isso seja possível. No momento basta com adorar a Deus? Não! É preciso manifestar aos outros as maravilhas da graça e da glória.

Esse é o segundo movimento do nosso coração: pensamos nos nossos irmãos, em todos os seres humanos. Depois de contemplar por um momento o projeto de Deus para o homem já realizado na humanidade de Jesus e que se realizará em cada um de nós, temos que perguntar aos nossos semelhantes: o que vocês estão fazendo? Não percebem, por acaso, ó tardos de inteligência e endurecidos de coração, que há coisas melhores? Será que não se dão conta que isso que vocês julgam bom e agradável aos sentidos não satisfaz plenamente o coração humano? Será que estão cegos: não percebem que os dons da inteligência, os prazeres da carne, o poder das riquezas, são apenas uma manifestação de que o coração de vocês tende à felicidade? Deus é essa felicidade!

Não nos escutarão. Talvez não nos ouçam. Frequentemente nos desprezam! Pensam que somos nós os infelizes, os tristes e os apoquentados porque – dizem eles –não desfrutamos da vida, não aproveitamos os prazeres, não aproveitamos a nossa liberdade. Se o cristão não vigiar e não estiver cada dia mais unido a Deus poderia até acreditar na “felicidade-fantasma” dessas pessoas. Para alguns a vida se resume em poucas palavras: Drogas! Sexo! Dinheiro! Tá bom, drogas não; mas as outras duas coisas talvez…

Os homens e as mulheres de bem, aquelas pessoas que sabem o que vale a pessoa humana de verdade, precisam estar atentas. Não podem ser bobas! Não podem ter a falsa humildade de não atuar com inteligência e perspicácia neste nosso mundo. O cristão não pode viver cabisbaixo, triste, melancólico, como se o mundo e as pessoas não tivessem jeito! Não! Não podemos ser moles, atontados, frouxos e sem essa “malícia boa” que manifesta que nós somos pessoas prudentes, oportunas, com capacidade de planejar e de mostrar, de maneira atrativa, o Evangelho de Jesus aos demais. Parecem que eles só conhecem o seu mundo, as suas coisas, os seus prazeres, o seu planeta. É hora de mostrar-lhes algo mais bonito! Acho que é importante pedir a Deus o “dom de línguas” segundo a interpretação de São Josemaría Escrivá: falar de tal maneira que todos nos entendam, que a nossa vida seja transmissão da mensagem de Cristo aos outros, buscar expressar-se de tal maneira que cultivados e menos cultivados compreendam o que queremos dizer quando falamos de Deus.

Você e eu, queremos ir com Jesus… aos céus! Mas não, devemos ficar aqui, talvez muitos anos… trabalhar muito. Eles precisam de nós!

Pe. Françoá Costa