Amor de predileção pelos sacerdotes

Estamos no mês mariano. Durante este mês é importante que não nos esqueçamos de pedir à Mãe de Jesus que cuide dos sacerdotes. Cada padre, desde que João foi confiado a Maria, é seu filho predileto. Ela os ama de maneira muito especial.

O amor é necessariamente desigual. Não se pode pedir a uma mãe que ame com a mesa intensidade tanto os filhos que saíram das suas entranhas quanto aos estrangeiros que ela apenas teria saudado alguma vez. Não se pode pedir a um marido que a todas as mulheres por igual. Tampouco se pode exigir ao cristão amar a todos os seres humanos por igual. A caridade é ordenada e, por isso mesmo, justamente desigual. É lógico que amemos mais intensamente os nossos irmãos na fé, especialmente aqueles que convivem conosco; é totalmente normal que amemos mais fortemente os nossos familiares, especialmente os nossos pais; não há nada de estranho que amemos mais os nossos amigos que os nossos inimigos, ainda que devamos amar também aos inimigos.

Maria ama com predileção os sacerdotes do seu filho porque Jesus os confiou a ela enquanto sofria na cruz para a nossa salvação. Nossa Senhora não pôde esquecer jamais aquela cena. As últimas vontades de um moribundo, especialmente quando esse moribundo é o Filho de Deus, ficam gravadas na mente de uma maneira indelével. As últimas coisas que um filho pede a uma mãe ficam presentes para sempre na memória materna. Com Nossa Senhora não foi diferente: o desejo de Jesus permaneceu sempre presente no seu coração e ela tem cuidado dos sacerdotes com amor de predileção até hoje.

Gosto de pensar na figura de João. É o típico rapaz valioso e de pouca idade que decide entregar-se de corpo e alma a uma causa maior. João entregou tudo o que era seu aos cuidados de Jesus. João era jovem, tinha um coração puro, era um rapaz vigoroso, um jovenzinho de caráter forte, um coração grande e generoso. Eu não estou de acordo quando se escuta por aí que o vocacionado ao sacerdócio tem que fazer primeiro uma experiência de namoro antes de entrar no seminário. Aqueles que tiveram uma experiência desse tipo não são melhores nem piores do que aqueles que não a tiveram. No entanto, não posso deixar de elogiar a entrega total daqueles que, sem dividir o coração em nenhum momento, se entregaram totalmente a Cristo. Isso é maravilhoso!

Por outro lado, Jesus tem direito de escolher os seus ministros tanto entre os que mantiveram uma vida irrepreensível como o apóstolo João e o discípulo amado de Paulo, Timóteo; como entre aqueles que foram grandes pecadores, como Pedro, Paulo, Agostinho, etc. A todos esses o Senhor confiou a missão de ser pastores da sua grei.

No trecho do Evangelho de hoje, a palavra “porta” aparece quatro vezes. Jesus é a porta! Ou seja, o acesso a Deus, à felicidade, a uma vida verdadeiramente humana, é possível somente através de Cristo. Outras vozes, outras portas, outros pastores não conduzem à vida em abundância que só Jesus tem para dar-nos. Assim como Jesus é a porta das ovelhas, o sacerdote –agindo na Pessoa de Cristo cabeça e em nome da Igreja– também é porta.

Esse é um critério importante para pastores e ovelhas. O sacerdote tem que ser pastor no Pastor. Ele não pode pregar uma doutrina diferente da de Jesus. Se o padre pregasse algo diferente do Evangelho, ele estaria fazendo ressoar uma voz que as ovelhas não seguiriam porque elas não reconhecem nesse tipo de pregação a voz de Cristo, Pastor das suas almas. Nós, os sacerdotes, somos instrumentos do único Pastor. Chamam-nos pastores, e o somos, porque participamos no pastoreio de Jesus. Quando anunciamos a Palavra e quando celebramos os Sacramentos não somos nós, é Cristo em nós. Somos o mesmo Cristo, estamos identificados com ele. Que absurdo, portanto, pregar algo diferente do Evangelho! Que contrassenso pregar uma doutrina que não seja a doutrina católica, tanto em questões de fé quanto em questões de moral.

Os fiéis de Cristo têm direito a escutar a voz de Cristo através dos seus sacerdotes. Os ministros do Senhor foram ordenados para isso. Os fiéis podem e devem exigir deles o Cristo. Os demais cristãos não podem tolerar uma doutrina que não seja a do Divino Pastor e a da sua Esposa, a Igreja, vinda da boca de um sacerdote. Se tal coisa se desse, os fiéis deveriam, justamente, manifestar-se –mas com cuidado para não faltar à caridade– e pedir o que eles desejam: Jesus Cristo, sua palavra santa, os seus sacramentos.

Pe. Françoá Costa