O Mistério da Cruz: a solução!

Quem leu a Mensagem do Santo Padre, o Papa Bento XVI, para essa Quaresma estará de acordo comigo que é um texto maravilhoso e que nos oferece todo um programa de vida. De fato, o Papa nos vai conduzindo através da Liturgia de cada Domingo da Quaresma e do Tríduo Pascal mostrando aquilo que nós já sabemos, mas que talvez nem sempre aproveitamos com fruto: toda piedade deve ser conduzida à Liturgia e a Liturgia deve fazer-se piedade, ao mesmo tempo que enriquecê-la. Também eu gostaria de entrar no Tempo da Quaresma guiado pelas palavras do nosso amadíssimo Bento XVI.

Vale a pena começar a ler a Mensagem do Papa pelo final: “Em síntese, o itinerário quaresmal, no qual somos convidados a contemplar o Mistério da Cruz, é «fazer-se conformes com a morte de Cristo» (Fl 3, 10), para realizar uma conversão profunda da nossa vida: deixar-se transformar pela ação do Espírito Santo, como São Paulo no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus; libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo. O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da Penitência e caminhar com decisão para Cristo”. É ou não é uma boa síntese?

A primeira realidade à qual Bento XVI nos convida a dirigir os nossos olhares é para o Mistério da Cruz. Olhar para a Cruz, contemplar esse Mistério é ir ao porquê de tudo aquilo que nós faremos durante a Quaresma. As orações, os jejuns e esmolas têm sentido porque nos põem em contato com a Cruz do Senhor. Além do mais, nós recebemos do Mistério da Cruz a força para unir-nos à mesma Cruz, ou seja, aquilo que Deus nos pede, ele nos concede: Deus pede que rezemos? Ele nos dá a graça da oração. Deus nos pede que façamos penitência? Ele nos dá a graça para realizá-la? Deus pede que partilhemos e que não sejamos egoístas? Ele nos dá a graça da generosidade e da esmola. O que está por detrás de tudo isso é a primazia da graça de Deus na nossa vida. De fato, a palavra “graça” aparece, pelo menos, sete vezes na Mensagem do Papa. Basta! Não podemos mais confiar nas nossas próprias forças! A nossa experiência grita aos nossos ouvidos: “somente com as próprias forças não é possível!” E é assim. Mas também é verdade aquele grito celestial: com a graça de Deus, tudo é possível! S. Paulo experimentou e expressou essa realidade de uma maneira maravilhosa, confiando na graça de Deus pôde dizer aquelas palavras aparentemente contraditórias: “quando eu sou fraco, então, é que sou forte” (2 Cor 12,10).

Quanto tudo parecia que estava perdido, quando parecia que a vitória era realmente do diabo, quando a morte ensurdecia os ouvidos da humanidade, quando o clamor filial gritava ao Pai, quando… –esse é mistério da sexta-feira santa – Quanto parecia que tudo se encontrava na mais distante recordação, então… a terra tremeu, o véu do templo se rasgou, os homens proclamaram a divindade de Jesus, os mortos ressuscitaram e o Senhor da vida manifestou o seu poder. Contemplar o Mistério da Cruz é ver que há vida onde parece que reina a morte, contemplá-lo nas nossas vidas é ver surgir a esperança onde parecia que só havia lugar para a amargura, o choro e a desesperação.

Enquanto vivermos, tudo tem solução! Repito: TUDO TEM SOLUÇÃO! Livre-nos Deus daquele pecado contra o Espírito Santo que consiste exatamente na desesperação da salvação eterna. Lembremo-nos das palavras do Papa supracitadas: “O período quaresmal é momento favorável para reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a Graça renovadora do Sacramento da Penitência e caminhar com decisão para Cristo”. A solução passa pela graça da Cruz que nos vem pela confissão! E quanto antes melhor! SEM EXCEÇÃO, TUDO TEM SOLUÇÃO. Além do mais, os meus irmãos sacerdotes, que são uns apaixonados pela misericórdia de Deus, estarão transbordando de misericórdia durante essa Quaresma. Os sacerdotes são tão bons que, além de não se assustarem com nada, costumam passar penitências bem pequenas porque depois eles mesmos –com a sua mortificação e penitência– farão a outra parte da penitência que não impõem aos seus penitentes. Como Deus é bom! Como são bons os seus sacerdotes! Não há o que temer: TUDO TEM SOLUÇÃO!

Pe. Françoá Costa