Exaltada seja a Santa Cruz!

A figura do alemão Odo Casel (1886-1948) é bastante conhecida pelos liturgistas. Nasceu em 1886 em Cobienz Lützel. Foi monge beneditino, sacerdote, doutor em filosofia e em teologia, um teólogo bastante original. O mistério do culto cristão (1932) é, talvez, a sua obra mais conhecida, e, no entanto, a sua doutrina sobre o mistério também aparece naquela obra póstuma titulada O mistério da Cruz (1954), talvez pouca conhecida. O Pe. Casel morreu em 1948 enquanto celebrava a Vigília Pascal na Abadia das beneditinas da Santa Cruz de Herstelle.

É indiscutível que uma atitude contemplativa é muito importante na liturgia. Talvez o mais importante, no que diz respeito à liturgia, nos dias atuais, seja descobrir que essa atitude é a essencial daquilo que chamamos com razão participação ativa. Quem contempla o Mistério de Deus procurando entendê-lo e amá-lo na oração, participa ativamente na Sagrada Liturgia. Logicamente, apresentar a contemplação como elemento essencial da participação ativa na liturgia não exclui outros aspectos também importantes dessa participação.

A Cruz e o Mistério de Deus encontram-se intimamente unidos. A Cruz é reveladora tanto da grandeza de Deus quanto da feiúra do pecado. Casel nos mostra o Mistério da Cruz em relação com o Mistério da Igreja, Corpo de Cristo que nasceu do seu Sangue Preciosíssimo na Cruz: a Igreja é concorpórea de Cristo. E a graça chega até nós através do Mistério da Cruz, motivo suficiente para que amemos a Santa Cruz. No seguimento do Crucificado, o cristão vive no Espírito Santo, e não na carne. Aquele que renasceu “da água e do Espírito” (Jo 3,5) sabe que nasceu para as realidades superiores. Para conseguir chegar até lá tem que lutar e mortificar-se naquilo que tem de carnal.

Celebrar a exaltação da Santa Cruz é celebrar a exaltação da humilhação. Essa afirmação não é contraditória? Muitos viram na Cruz e na sua celebração festiva uma contradição; essa maneira de ver as coisas, os levou a renegar a Cruz em nome da vida segundo esse mundo. No entanto, a vida segundo esse mundo termina geralmente em angustia, desespero e morte. A Cruz nos introduz em outra percepção de valores e nos faz passar através das vicissitudes presentes com o olhar fixo nas realidades que nos esperam. Deus falou por meio da Cruz, isto é, por meio do mistério do seu Filho morto e ressuscitado. Ele quer introduzir-nos na Vida pela Cruz. Certo é que, noutros tempos, a cruz era uma miséria, sem brilho e objeto de maldição, mas, Cristo, ao abraçá-la, consagrou-a e abençoou-a. Até os nossos dias, abençoamos com a Santa Cruz: em nome do + Pai e do + Filho e + do Espírito Santo. Amém.

 

Pe. Françoá Costa