Presença

Que coisa desnorteadora quando sentimos a presença da ausência de alguém que queremos bem. Jesus Cristo quis poupar-nos desse sentimento tendo em conta o cumprimento da sua missão e as nossas reais necessidades e capacidades. Um cristão já não precisa fazer a pergunta que nós escutamos no Evangelho da Missa: “Mestre, quando chegaste aqui?” (Jo 6,25). Ao contraio, avisará a todos, como o fez Maria à sua irmã Marta: “O Mestre está aí e te chama” (Jo 11,28).

Vi certa vez um filme, um desenho animado, no qual se perguntava a uma criança: “Qual é a diferença entre o Crucifixo e a Eucaristia?” A criança respondeu então com muita sabedoria: “No Crucifixo parece que Jesus está, mas não está; na Eucaristia parece que ele não está, mas está”.

Parece que não está, mas está! A Igreja sempre acreditou que após as palavras da consagração n a Missa, toda a realidade do pão se muda, se converte no Corpo de Jesus Cristo; toda a realidade do vinho se transforma no sangue do Senhor Jesus. Esta verdade de fé é conhecida pelos católicos como transubstanciação. Neste sentido vale a pena trazer a colação as vigorosas palavras do Papa Paulo VI no texto do “Credo do Povo de Deus”, de 1968. Copio ao leitor as palavras do Papa que se referem à Missa e à transubstanciação (n. 24-25):

“Cremos que a Missa, celebrada pelo sacerdote, que representa a pessoa de Cristo, em virtude do poder recebido no sacramento da Ordem, e oferecida por ele em nome de Cristo e dos membros do seu Corpo Místico, é realmente o Sacrifício do Calvário, que se torna sacramentalmente presente em nossos altares. Cremos que, como o Pão e o Vinho consagrados pelo Senhor, na última ceia, se converteram no seu Corpo e Sangue, que logo iam ser oferecidos por nós na Cruz; assim também o Pão e o Vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no Corpo e Sangue de Cristo que assiste gloriosamente no céu. Cremos ainda que a misteriosa presença do Senhor, debaixo daquelas espécies que continuam aparecendo aos nossos sentidos do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial(cf. Concílio de Trento, Sessão 13, Decreto sobre a Eucaristia).

“Neste sacramento, pois, Cristo não pode estar presente de outra maneira a não ser pela mudança de toda a substância do pão no seu Corpo, e pela mudança de toda a substância do vinho no seu Sangue, permanecendo apenas inalteradas as propriedades do pão e do vinho, que percebemos com os nossos sentidos. Esta mudança misteriosa é chamada pela Igreja com toda a exatidão e conveniência transubstanciação. Assim, qualquer interpretação de teólogos, buscando alguma inteligência deste mistério, para que concorde com a fé católica, deve colocar bem a salvo que na própria natureza das coisas, isto é, independentemente do nosso espírito, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de sorte que o Corpo adorável e o Sangue do Senhor Jesus estão na verdade diante de nós, debaixo das espécies sacramentais do pão e do vinho(cf. ibid.; Paulo VI, Encíclica Mysterium Fidei), conforme o mesmo Senhor quis, para se dar a nós em alimento e para nos associar pela unidade do seu Corpo Místico(cf. Suma Teológica III, q. 73, a. 3)”.

Trata-se da voz autorizada de um Papa no encerramento do Ano da Fé de 1968. Bento XVI convocou a Igreja para um Ano da Fé a começar em outubro de 2012. Sem dúvida, será essa uma maravilhosa ocasião para que o Senhor renove a nossa fé e para que nós reafirmemos a nossa entrega a Deus, a nossa adesão a ele e a todas as verdades que ele revelou a nós. No dia de hoje, graças sejam dadas a Deus pela nossa fé no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, vida da Igreja!

Pe. Françoá Costa