Multiplicação dos Pães

Idéias principais: I. A multiplicação existiu mesmo ou foi somente uma partilha? II. Cristo multiplica os dons. III. Guardaram os pedaços que sobraram.

I. A multiplicação existiu mesmo ou foi somente uma partilha?

Uma vez uma Senhora insistiu comigo que a multiplicação dos pães se tratava de uma mera partilha. Jesus, muito esperto, pediu que todos colocassem em comum o pouco que tinham e o pouco se tornou muito.

Não ouso dizer que isso, n’algumas ocasiões, não funcione.

Quando eu era pequeno ficava maravilhado que, nos passeios e retiros da catequese, quando cada um colocava seu lanche à disposição de todos, a comida dava para todo mundo e sobrava.

Mas depois de adulto todos vamos percebendo que nem sempre isso dá certo.

Se Jesus fosse somente um esperto, apenas um líder que soubesse dirigir as multidões, não haveria a necessidade de que fosse Filho de Deus: com uns discursos e conselhos já estaria tudo resolvido.

Se só repartir resolvesse, já não haveria mais fome no mundo.

Se Jesus fez tantos outros milagres como a cura de cegos, surdos e tantos mais, por que não poderia multiplicar os pães?

É curioso que o termo “multiplicação” não esteja presente no texto deste trecho do Evangelho. O que, em vez, está no texto é a palavra “repartiu”.

Mas pelo tanto de comida que havia – poucos pães e peixes, nossa lógica nos obriga a pensar que Ele primeiro multiplicou, para depois dividir entre todos.

II. Cristo multiplica os dons.

Cristo tem o poder não só de multiplicar os pães, mas também todos os dons materiais e espirituais que achar necessário.

Ao longo da História do Cristianismo em lugares avessos à Doutrina Católica houve um promissor florescimento da Religião. Pessoas aparentemente impotentes, por causa de sua pouca expressão no mundo da cultura ou da economia, realizaram grandes obras.

De fato o Senhor ama Seu povo e multiplica os dons para sustentar os eleitos no caminho da salvação.

Quem não conhece, nas Paróquias espalhadas pelo mundo todo, aquelas senhorinhas de idade avançada, às vezes muito pobres, outras vezes analfabetas ou de saúde muito frágil que são gigantes na fé, no conhecimento da doutrina católica, na vida de oração ou que estão a disposição de todos no voluntariado?

Cristo sabe muito bem multiplicar os dons: sabe o momento, sabe o modo e sabe quem escolher para demonstrar esta multiplicação.

III. Guardaram os pedaços que sobraram.

Jesus é, além de Salvador, Nosso Mestre. Além de fazer milagres, como o da multiplicação dos pães, preocupou-Se em nos ensinar a recolher e guardar os pedaços que sobraram. A lição que quis nos dar é a de que não podemos viver somente de milagres. Cristo não é um mágico a quem recorremos em cima da hora dos nossos compromissos para que Ele dê uma solução fantástica e imediata.

O que Ele fez na multiplicação dos pães foi por amor e compaixão. Mostrou que era Filho de Deus, mas quis fazer com que entendêssemos que somos humanos e, então, ensinou-nos a não esbanjarmos os dons de Deus, os dons humanos, o pão de cada dia.

Desperdiçar os dons de Deus é como a historinha da corrida da lebre e da tartaruga. A lebre, porque sabia que corria e que a tartaruga era lenta, no trajeto, aproveitou para conversar com os amigos, para tirar alguns cochilos, para comer algumas guloseimas e, na distração, acabou por perder vergonhosamente a competição. Já a tartaruga, lenta, mas sempre focada em suas tarefas, não sem esforço e determinação, chegou em primeiro à linha dos campeões.

Diante deste texto sagrado da Liturgia de hoje nós deveríamos nos perguntar se estamos tendo fé suficiente a fim de acreditarmos que Jesus, Nosso Senhor, tem poder para nos dar Seus dons em abundância e se cuidamos destes dons colocando-os a serviço da Igreja e da humanidade.

Peçamos a Nossa Senhora, Mãe do Divino Amor, que nos ajude a saber lidar com os dons de Deus.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Pe. André Luís Buchmann de Andrade.