Pe. Demétrio Gomes

No contexto do Ano da Fé, na homilia de encerramento do último Sínodo dos Bispos, cujo tema foi “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, o Santo Padre afirmou que “Todos os homens têm o direito de conhecer Jesus Cristo e o seu Evangelho; e a isso corresponde o dever dos cristãos – de todos os cristãos: sacerdotes, religiosos e leigos – de anunciarem a Boa Nova”.

O direito que todos os homens possuem de conhecer a Cristo está intimamente relacionado com o dever que os fiéis têm de O anunciarem. São Paulo, na Carta aos Romanos apontava para essa mútua implicação: “Como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue?” (Rm 10,14).

O novo Código de Direito Canônico recorda tal direito e dever no cânon 211, quando se refere às obrigações e direitos comuns a todos os fiéis: “Todos os fiéis têm o direito e o dever de trabalhar, a fim de que o anúncio divino da salvação chegue sempre mais a todos os homens de todos os tempos e de todo o mundo”.

O direito e o dever de difundir o Evangelho são anteriores a qualquer mandato por parte da hierarquia eclesiástica. Eles são adquiridos pelos fiéis com o próprio batismo que receberam. Inseridos em Cristo, todos os batizados são destinados pelo Próprio Senhor ao apostolado.

Os cristãos que nada fazem para difundir – sobretudo com o testemunho de sua própria vida – o Evangelho, omitem um grave dever que possuem. Podemos atar as mãos de um Deus Todo-Poderoso quando negligenciamos esse suave dever de transmitir a todos a Boa Nova que o Senhor veio trazer para a terra. Ele, sem precisar, quis contar conosco para seguir Sua obra iniciada. Quantas pessoas ficariam privadas de conhecer o Único capaz de dar sentido pleno às suas vidas, se nós deixássemos de mostrar o rosto de Deus?

Por outro lado, antes de ser um dever, anunciar a Cristo é um direito que todos nós batizados temos. É fruto de uma exigência interior que existe em todo aquele que conheceu o amor de Deus. Quando fazemos um real encontro com Deus, sentimos uma instantânea necessidade de comunicá-Lo aos demais, porque tal realidade é tão imensa que transborda os limites de nossa existência. O apostolado nasce, assim, como uma superabundância da vida interior.

“Ai de mim se não evangelizar!” (1 Cor 9,16). Ai de nós, porque falharíamos com uma obrigação grave que o Senhor nos confiou. Ai de nós, porque não seríamos plenamente realizados, se não pudéssemos transmitir – com a palavra e com a vida – Aquele que é a razão da nossa alegria!