No contexto do “Ano Sacerdotal” em que nos encontramos, é de suma conveniência que reflitamos sobre o vínculo estreito, fundamental e imprescindível, que o Sacramento da Ordem estabelece entre a pessoa do sacerdote e a Palavra de Deus.

O Concílio Vaticano II, no Decreto “Presbyterorum Ordinis“, sobre o ministério e a vida sacerdotal, assim se expressa: “Como ninguém se salva sem fé, os padres, como cooperadores dos Bispos, têm o dever precípuo de levar a todos o Evangelho de Deus, no cumprimento do mandamento do Senhor: “Vão ao mundo inteiro e preguem o Evangelho a toda criatura” (Mc.16,15), constituindo e fazendo crescer o Povo de Deus” (PO.n4)                  

Estas palavras são indicativas das posteriores diretrizes exaradas pela Congregação para o Clero, em 19 de março de 1999, “0 Presbítero, Mestre da Palavra, Ministro dos Sacramentos e Guia da Comunidade, em vista do Terceiro Milênio”. Os dois Documentos destacam primeiramente esta responsabilidade para os sacerdotes de serem homens possuidos pela Palavra, apaixonados pela Palavra e que vivem a Palavra! É todo um itinerário espiritual no contato com a Palavra que deve ser percorrido pelos sacerdotes. É toda uma vida de intensa e crescente intimidade com o Senhor através da escuta e da meditação sobre a Palavra de Deus. Antes de pregá-la é preciso que o sacerdote a viva em suas atitudes, em sua conduta, em seu agir pastoral. Em síntese, é preciso que o sacerdote primeiro “reze” a Palavra para depois transmití-la, como dizia Sto. Agostinho: “sit orator, antequam dictor”!                  

É ainda um verdadeiro programa de vida que deve possibilitar ao sacerdote “levar a Deus, quer vivendo honestamente entre o povo, quer pregando o mistério de Cristo aos que não o reconhecem, quer ensinando a doutrina da Igreja ou catequizando os fiéis”(PO.n4).                  

As novas situações e opções de vida do mundo moderno exigem uma pregação ardente, que apresente integralmente, com fundamento, o conteúdo da Revelação cristã. O sacerdote precisa sentir-se verdadeiramente um irmão entre irmãos, conhecendo de perto as angústias e dores de seus fiéis, testemunhando no meio deles a força da “Esperança que não decepciona”(Rom.5,5) justamente por ser ele um homem de Deus, mergulhado inteiramente nesta intimidade divina que lhe permitirá vivenciar a serenidade e a objetividade necessárias à pregação do Evangelho.                  

É preciso que os sacerdotes se deixem “desnudar” interiormente diante do Senhor, para que a força transformadora da Palavra o santifique, constituindo-o profeta da Verdade salvífica: JESUS CRISTO.

Que a Santíssima Virgem Maria nos obtenha de Deus a graça de nos deixarmos penetrar fundo pela Palavra de Deus, de nos deixarmos converter radicalmente por esta Palavra, afim de podermos ser homens da Esperança nesta modernidade pagã, cada dia mais cativa das depressões e dos desesperos que ceifam tantas vidas e geram dolorosos vazios no coração das pessoas.  

+ D. Fr. Alano Maria Pena OP
Arcebispo Metropolitano de Niterói