RITOS INICIAIS

Sir 36, 18

ANTÍFONA DE ENTRADA: Dai a paz, Senhor, aos que em Vós esperam e confirmai a verdade dos vossos profetas. Escutai a prece dos vossos servos e abençoai o vosso povo.

Introdução ao espírito da Celebração

As palavras rancor, ira e vingança não constam no vocabulário do ser humano, sobretudo na alma do cristão.

Ódio só ao pecado.

Viveremos para amar e perdoar.

Sofrer com as ofensas e maus tratos é normal.

ORAÇÃO COLECTA: Deus, Criador e Senhor de todas as coisas, lançai sobre nós o vosso olhar; e para sentirmos em nós os efeitos do vosso amor, dai-nos a graça de Vos servirmos com todo o coração. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

LITURGIA DA PALAVRA

Primeira Leitura

Monição: O Senhor convida-nos a perdoar, para que sejamos perdoados por Deus.

Ben-Sirá 27, 33 – 28, 1-9

33O rancor e a ira são coisas detestáveis, e o pecador é mestre nelas. 1, 1Quem se vinga sofrerá a vingança do Senhor, que pedirá minuciosa conta de seus pecados. 2Perdoa a ofensa do teu próximo e, quando o pedires, as tuas ofensas serão perdoadas. 3Um homem guarda rancor contra outro e pede a Deus que o cure? 4Não tem compaixão do seu semelhante e pede perdão para os seus próprios pecados? 5Se ele, que é um ser de carne, guarda rancor, quem lhe alcançará o perdão das suas faltas? 6Lembra-te do teu fim e deixa de ter ódio; 7pensa na corrupção e na morte, e guarda os mandamentos. 8Recorda os mandamentos e não tenhas rancor ao próximo;9pensa na aliança do Altíssimo e não repares nas ofensas que te fazem.

A condenação da ira e da vingança já aparece aqui, como que a preparar proximamente os espíritos para os ensinamentos de Jesus sobre o perdão das injúrias, como se lê no Evangelho de hoje. O livro deJesus Ben Sira, ou Sirácida, foi escrito por volta do ano 180 a. C., em hebraico, e traduzido para grego pelo neto do autor, no Egipto, por volta do ano 130. O texto original hebraico, ainda foi conhecido por S. Jerónimo (que lamentavelmente não se deu ao trabalho de o traduzir, por não se tratar de um livro aceite pacificamente por todos), mas esteve perdido durante séculos, até que se pôde reconstituir a partir de vários manuscritos: o primeiro achado em 1896 na Guenizá da Sinagoga do Cairo, e outros achados em Qumrã e na fortaleza de Massadá (em 1964), para além de outros pequenos fragmentos hebraicos medievais.

Salmo Responsorial

Sl 102 (103), 1-2.3-4.9-10.11-12 (R. 8)

Monição: Imitemos o Senhor que é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade.

Refrão: O SENHOR É CLEMENTE E COMPASSIVO,

PACIENTE E CHEIO DE BONDADE.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.

Bendiz, ó minha alma, o Senhor

e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

Ele perdoa todos os teus pecados

e cura as tuas enfermidades.

Salva da morte a tua vida

e coroa-te de graça e misericórdia.

Não está sempre a repreender

nem guarda ressentimento.

Não nos tratou segundo os nossos pecados

nem nos castigou segundo as nossas culpas.

Como a distância da terra aos céus,

assim é grande a sua misericórdia para os que O temem.

Como o Oriente dista do Ocidente,

assim Ele afasta de nós os nossos pecados.

Segunda Leitura

Monição: Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor.

Romanos 14, 7-9

Irmãos: 7Nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo. 8Se vivemos, vivemos para o Senhor, e se morremos, morremos para o Senhor. Portanto, quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor. 9Na verdade, Cristo morreu e ressuscitou para ser o Senhor dos vivos e dos mortos.

O texto afirma a pertença radical de todos os fiéis, vivos ou falecidos, a Cristo. Ele conquistou-nos com o mistério da sua morte e ressurreição; ficámos a pertencer-lhe pelo Baptismo, que não é um mero rito, mas é um entrar numa comunhão de vida com Ele, para morrer e viver com Ele (cf. Rom 6). Recordem-se, a propósito, as palavras do mesmo S. Paulo em 2 Cor 5, 14-15: «O amor de Cristo urge-nos … Ele morreu por todos, a fim de que os que vivem já não vivam para si mesmos mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles». Pode-se aproveitar esta ocasião para corrigir a lamentável gralha que aparece na última edição (1984) da «Celebração das Exéquias», nº 205: não é «nenhum de nós vive por si mesmo», mas sim: «nenhum de nós vive para si mesmo».

Aclamação ao Evangelho

Jo 13, 34

Monição: Sem amar o próximo, não cumprimos a vontade de Deus. Amai-vos como Eu vos amei.

ALELUIA

Dou-vos um mandamento novo, diz o Senhor:   amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.

Evangelho

São Mateus 18, 21-35

Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: «Se meu irmão me ofender, quantas vezes deverei perdoar-lhe? Até sete vezes?» 22Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Na verdade, o reino de Deus pode comparar-se a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. 24Logo de começo, apresentaram-lhe um homem que devia dez mil talentos. 25Não tendo com que pagar, o senhor mandou que fosse vendido, com a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, para assim pagar a dívida. 26Então o servo prostrou-se a seus pés, dizendo: ‘Senhor, concede-me um prazo e tudo te pagarei’. 27Cheio de compaixão, o senhor daquele servo deu-lhe a liberdade e perdoou-lhe a dívida. 28Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, começou a apertar-lhe o pescoço, dizendo: ‘Paga o que me deves’. 29Então o companheiro caiu a seus pés e suplicou-lhe, dizendo: ‘Concede-me um prazo e pagar-te-ei’. 30Ele, porém, não consentiu e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto devia. 31Testemunhas desta cena, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao senhor tudo o que havia sucedido. 32Então, o senhor mandou-o chamar e disse: ‘Servo mau, perdoei-te, porque me pediste. 33Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ 34E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. 35Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».

À pergunta de Pedro sobre quantas vezes deve perdoar, Jesus não se detém em casuística rabínica, mas responde com uma parábola que, para bom entendedor, queria dizer «sempre», «de modo que não encerrou o Senhor o perdão num número determinado, mas deu a entender que há que perdoar continuamente e sempre» (S. João Crisóstomo). O ensino da parábola reside no contraste hiperbólico entre a magnanimidade do senhor, que perdoa uma soma incalculável – dez mil talentos seriam umas centenas de milhões de contos – e a mesquinhez do criado para com um companheiro que lhe devia apenas cem denários; um denário equivalia ao salário dum dia e eram 12 gramas de prata; um talento podia corresponder a 36 quilos de prata. A misericórdia de Deus é infinita para com o pecador, mas este também deve ser misericordioso e perdoar a quem o ofende. A lei da caridade e do perdão é o cerne do «Reino dos Céus».

Sugestões para a homilia

1.  Que fazer para obter o perdão de Deus e dos homens?

João Paulo II, Dives in Misericordia, n.º 14, 30-XI-1980, diz:

«É evidente que a exigência tão generosa em perdoar não anula as exigências objectivas da justiça. A justiça bem entendida constitui, por assim dizer, a finalidade do perdão. Em nenhuma passagem do Evangelho o perdão, nem mesmo a misericórdia como sua fonte, significam indulgência para com o mal, o escândalo, a injúria causada, ou os ultrajes. Em todos estes casos, a reparação do mal ou do escândalo, a compensação do prejuízo causado e a satisfação da ofensa são condição do perdão.

Assim a estrutura da justiça penetra sempre no campo da misericórdia. Esta, no entanto, tem o condão de conferir à justiça um conteúdo novo, que se exprime, do modo mais simples e pleno, no perdão.»

Por palavras mais simples: todos têm direito ao perdão mas devem cumprir os deveres de justiça para com o ofendido. Seja para com Deus seja para com a pessoa ofendida.

2.  Como procede o Senhor com o pecador?

Só perdoa a quem está disposto a perdoar. Esta frase parece estranha mas tem fundamento bíblico. Reparemos dos textos da Eucaristia de hoje. Centrem a atenção na primeira frase (Primeira Leitura), e na última (Evangelho).

Primeira Leitura: «Perdoa a ofensa do teu próximo e, quando o pedires, as tuas ofensas serão perdoadas».

Salmo Responsorial: «O Senhor perdoa todos os teus pecados e cura as tuas enfermidades. Não está sempre a repreender nem guarda ressentimento. Não nos tratou segundo os nossos pecados nem nos castigou segundo as nossas culpas. Como a distância da terra aos céus, assim é grande a sua misericórdia para os que O temem».

Evangelho: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete».

Depois conta a história dos dois devedores e remata deste modo: «Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão de todo o coração».

E, no Pai Nosso, Cristo ensina a rezar nestes termos: «Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido».

3.  Como deve o homem proceder com quem o ofende?

Tal qual como Deus procede connosco.

Quem deseja o perdão do seu pecado tem de perdoar e, se não tem forças para isso, deve pedi-las ao Senhor, à Santíssima Virgem, e a todos os Anjos e Santos. Deve fazer oração, frequentar os sacramentos, sobretudo a Penitência e a Eucaristia, etc.

LITURGIA EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Ouvi, Senhor, com bondade as nossas súplicas e recebei estas ofertas dos vossos fiéis, para que os dons oferecidos por cada um de nós para glória do vosso nome sirvam para a salvação de todos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

SANTO

Monição da Comunhão

Sem comunhão frequente não haverá capacidade de perdão.

Salmo 35, 8

ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Como é admirável, Senhor, a vossa bondade! A sombra das vossas asas se refugiam os homens.

Ou:

O cálice de bênção é comunhão no Sangue de Cristo; e o pão que partimos é comunhão no Corpo do Senhor.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Senhor nosso Deus, concedei que este sacramento celeste nos santifique totalmente a alma e o corpo, para que não sejamos conduzidos pelos nossos sentimentos mas pela virtude vivificante do vosso Espírito. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

RITOS FINAIS

Monição final

Anunciemos a todos que perdoar a quem nos ofende é dom de Deus. Devemos pedi-lo.

HOMILIAS FERIAIS

24ª SEMANA

2ª feira, 12-IX: Algumas partes da Missa.

Tim. 2, 1-8 / Lc. 7, 1-10

(O centurião):Não mereço que entres debaixo do meu tecto.

O centurião de Cafarnaum ficou duplamente ligado ao sacramento da Eucaristia: pelas palavras que disse a Jesus (cf. Ev.), e que continuamos a repetir antes da Comunhão; e porque construiu a sinagoga de Cafarnaum, onde Jesus pronunciaria mais tarde o discurso eucarístico. Repitamos com fé as suas palavras quando recebermos o Senhor.

Também S. Paulo pede que se «façam preces, orações, súplicas e acções de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que exercem autoridade» (Leit.). Continuamos a fazê-lo na Oração universal da Missa.

3ª feira, 13-IX: Imitar a misericórdia de Jesus.

Tim. 3, 1-3 / Lc. 7, 11-17

E vinha com ela (a viúva) bastante gente da cidade. Ao vê-la o Senhor compadeceu-se e disse-lhe: não chores.

Jesus veio carregar sobre os seus ombros com as nossas misérias, veio compadecer-se dos que sofrem, como a viúva de Naim (cf. Ev.).«Jesus faz da misericórdia um dos temas principais da sua pregação… são muitos os passos dos ensinamentos de Cristo que manifestam o amor-misericórdia sob um aspecto sempre novo» (João Paulo II, Dives in misericordia, 3).

Sejamos igualmente misericordiosos com os outros: «Nada pode fazer-te tão imitador de Cristo como a preocupação pelos outros. Mesmo que jejues… ou, por assim dizer, te mates, se não te preocupares pelo próximo, pouca coisa fizeste, pois ainda estás muito longe da imagem de Jesus» (S. João Crisóstomo).

Celebração e Homilia:          ADRIANO TEIXEIRA

Nota Exegética:                     GERALDO MORUJÃO

Homilias Feriais:                  NUNO ROMÃO

Sugestão Musical:                DUARTE NUNO ROCHA