RITOS INICIAIS

 

Salmo 32, 5-6

ANTÍFONA DE ENTRADA: A bondade do Senhor encheu a terra, a palavra do Senhor criou os céus. Aleluia.

 

Diz-se o Glória.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

Celebramos neste 4º Domingo da Páscoa o Dia do Bom Pastor. Em 1963, ainda em pleno Concílio Vaticano II, Paulo VI institui neste mesmo Domingo o Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

Foi um gesto verdadeiramente profético do Papa-mártir que está a caminho dos altares, porque nessa época havia ainda abundância de vocações sacerdotais.

Unamo-nos, pois, nesta Celebração da Eucaristia, à oração de toda a Igreja, com a certeza de que ela não pode viver sem pessoas que entreguem generosamente a sua vida no sacerdócio ministerial.

 

ACTO PENITENCIAL

 

(Havendo aspersão da assembleia, como está recomendado no tempo pascal, como evocação do Baptismo, o acto penitencial é substituído por ela.)

 

Todas as pessoas recebem de Deus uma missão – vocação – para desempenhar na terra.

Peçamos ao Senhor, com humildade e confiança, perdão para as faltas de generosidade com que temos vivido a nossa própria vocação.

 

ORAÇÃO COLECTA: Deus eterno e omnipotente, conduzi-nos à posse das alegrias celestes, para que o pequenino rebanho dos vossos fiéis chegue um dia à glória do reino onde já Se encontra o seu poderoso Pastor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

LITURGIA DA PALAVRA

 

Primeira Leitura

 

Monição: Paulo e Barnabé anunciam o Evangelho em Antioquia da Pisídia, primeiro aos judeus, no lugar onde eles se reuniam habitualmente para fazer oração. No sábado seguinte veio uma multidão de gentios ouvir a Palavra de Deus. Este êxito apostólico, porém, despertou a inveja de alguns.

Mas as contradições não os fizeram cair no desânimo, e prosseguiram, com zelo e entusiasmo, a sua missão apostólica. Pedimos esta graça para os apóstolos de hoje.

 

Actos dos Apóstolos 13, 14.43-52

Naqueles dias, 14Paulo e Barnabé seguiram de Perga até Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se. 43Terminada a reunião da sinagoga, muitos judeus e prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, que nas suas conversas com eles os exortavam a perseverar na graça de Deus. 44No sábado seguinte, reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra do Senhor. 45Ao verem a multidão, os judeus encheram-se de inveja e responderam com blasfémias. Corajosamente, 46Paulo e Barnabé declararam: «Era a vós que devia ser anunciada primeiro a palavra de Deus. Uma vez, porém, que a rejeitais e não vos julgais dignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios, 47pois assim nos mandou o Senhor: ‘Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra’». 48Ao ouvirem estas palavras, os gentios encheram-se de alegria e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé 49e a palavra do Senhor divulgava-se por toda a região. 50Mas os judeus, instigando algumas senhoras piedosas mais distintas e os homens principais da cidade, desencadearam uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. 51Estes, sacudindo contra eles o pó dos seus pés, seguiram para Icónio. 52Entretanto, os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

 

A leitura apresenta-nos a má reacção dos judeus ao discurso kerigmático de S. Paulo na sinagoga de Antioquia da Pisídia (vv. 15-41, omitido na leitura), a par da atitude dos discípulos perante a rejeição e a perseguição, que «estavam cheios de alegria e do Espírito Santo» (v. 52); estas são duas notas distintivas da vida dos primeiros cristãos, que S. Lucas não se cansa de sublinhar.

14 «Perga», cidade da Panfília, região a Sul da península da Anatólia (Turquia actual), entre a Lícia e a Cilícia. Ficava a uma dúzia de quilómetros do porto de Atália (cf. Act 14, 25). Estamos na primeira viagem de S. Paulo, que decorreu entre os anos 45 e 49. «Antioquia da Pisídia», distinta da célebre Antioquia da Síria, donde Paulo saíra para esta missão com Barnabé e seu sobrinho João Marcos. A cidade ficava na estrada que ligava Éfeso ao Oriente, a uns 160 km a Norte de Perga e a 1200 metros de altitude. Para aqui chegarem tiveram que subir as altas montanhas do Tauro, por caminhos abruptos e infestados de salteadores (cf. 2 Cor 11, 24), circunstância esta que bem podia ter influído para que o jovem Marcos, o futuro Evangelista, colaborador de Pedro e de Paulo, tenha desistido de prosseguir em tão duro e arriscado plano apostólico (cf. v. 13). «Entraram na sinagoga e sentaram-se»:o texto suprime a intervenção de S. Paulo, que lhe foi facilitada, como visitante categorizado (vv. 15-42).

43 «Perseverar na graça de Deus» – uma exortação sempre actual para todo o cristão –; a graça é o dom de Deus que nos torna santos aos seus olhos; persevera-se nela através duma adesão total e firme a Jesus Cristo (cf.Act 11, 23).

47 «Fiz de ti luz das nações» (cf. Is 49, 6): de acordo com o anúncio profético, a Igreja, desde os tempos apostólicos, é constituída na grande maioria por fiéis que vieram da gentilidade, que os judeus chamavam as nações ou povos, no plural, em contraste com o singular, o povo (de Israel), o único escolhido dentre as nações.

51 «Sacudindo o pó dos seus pés». Cf. Mt 10, 14. Os judeus, ao deixarem uma terra gentia para entrarem na Palestina, tinham o costume de sacudir o pó dos pés e do calçado a fim de não contaminarem a Terra Santa. Este gesto dos Apóstolos era como dizer aos judeus incrédulos que, pelo facto de não aceitarem Jesus, se equiparavam aos gentios e contraíam uma gravíssima responsabilidade moral.

 

Salmo Responsorial

Sl 99 (100), 2.4.5.6.11.12.13b (R. 3c ou Aleluia)

 

Monição: A Ressurreição de Cristo é uma maravilha de Deus em favor de todos os povos de todos os tempos. A Páscoa não tem fronteiras, e todos são chamados a fazer parte da Igreja.

O salmo 99 convida todas as pessoas para esta universalidade do Reino de Deus, participando na alegria de Cristo Ressuscitado, e acolhendo a mensagem que Paulo e Barnabé anunciam.

 

Refrão:        NÓS SOMOS O POVO DE DEUS,

                SOMOS AS OVELHAS DO SEU REBANHO.

 

Ou:               NÓS SOMOS O POVO DO SENHOR;

                     ELE É O NOSSO ALIMENTO.

 

Ou:               ALELUIA.

 

Aclamai o Senhor, terra inteira,

servi o Senhor com alegria,

vinde a Ele com cânticos de júbilo.

 

Sabei que o Senhor é Deus,

Ele nos fez, a Ele pertencemos,

somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

 

O Senhor é bom,

eterna é a sua misericórdia,

a sua fidelidade estende-se de geração em geração.

 

Segunda Leitura

 

Monição: Numa das suas visões, S. João descreve, no Apocalipse, um vislumbre da felicidade que nos espera no Céu. Dá-nos uma espécie de resumo de todo o Livro que escreveu.

No centro de tudo está o Cordeiro de Deus, nosso Bom Pastor, que a todos nos quer conduzir para lá.

 

Apocalipse 7, 9.14b-17

9Eu, João, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. 14bUm dos Anciãos tomou a palavra para me dizer: «Estes são os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro. 15Por isso estão diante do trono de Deus, servindo-O dia e noite no seu templo. Aquele que está sentado no trono abrigá-los-á na sua tenda. 16Nunca mais terão fome nem sede, nem o sol ou o vento ardente cairão sobre eles. 17O Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água viva. E Deus enxugará todas as lágrimas dos seus olhos».

 

A leitura é extraída da visão consoladora da imensa multidão triunfante, resgatada das tribulações iminentes, que se verão desencadeadas com a abertura do sétimo selo (8, 1), o qual dá origem ao septenário das trombetas e este ao das sete taças cheias das sete pragas, prelúdio da vitória de Cristo sobre as forças do mal e da glorificação da Igreja, com que culmina o Apocalipse.

14 «A grande tribulação». Tanto se pode tratar duma perseguição aos cristãos mais violenta no fim dos tempos, como das perseguições e das tribulações em geral no curso da história da Igreja. Mas é provável que o autor tenha presente, em primeiro plano, as violentas perseguições de Nero e Domiciano, muito embora englobando nestas todas as outras. A «multidão incontável de todas as nações tribos e línguas» de bem-aventurados acrescenta-se àquele número simbólico de 144.000 dos vv. 3-8, correspondente ao resultado da multiplicação de 12.000 pelas 12 tribos de Israel: a exactidão matemática denuncia o valor simbólico do número, que bem pode designar os cristãos procedentes do judaísmo e poupados às calamidades que acompanharam a destruição de Jerusalém e do estado judaico.

«Branquearam as suas túnicas no Sangue do Cordeiro». «Não se designam só os mártires, mas todo o povo da Igreja – comenta Santo Agostinho –, pois não disse que lavaram as suas túnicas no seu próprio sangue, mas no Sangue do Cordeiro, isto é, na graça de Deus, por Jesus Cristo Nosso Senhor, conforme está escrito: ‘e o Seu Sangue purifica-nos’ (1 Jo 1, 7)». Notar o paradoxo: Sangue que branqueia, pois não é um sangue qualquer, mas o Sangue Redentor do Cordeiro oferecido em sacrifício, não se tratando, pois, duma lavagem material.

15-17 Temos aqui uma maravilhosa alusão à Liturgia Celeste e à felicidade eterna, em que participam os que deram a vida por Cristo. Notar mais um paradoxo: o Cordeiro que é Pastor. É Jesus que, dando pelos seus a vida como cordeiro de sacrifício, se torna o Pastor que conduz às nascentes da vida divina.

 

Aclamação ao Evangelho       

 Jo 10, 14

 

O Evangelho descreve-nos o carinho do Bom Pastor, que é Jesus Cristo, e fala-nos do Seu Amor por cada um de nós – ovelha do Seu rebanho –, manifestado em muitas riquezas que a Igreja nos oferece, especialmente por meio do sacerdócio ministerial.

Aclamemos a Boa Nova que enche a nossa vida de sentido e de alegria.

 

ALELUIA

 

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor: conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me.

 

 

Evangelho

 

São João 10, 27-30

Naquele tempo, disse Jesus: 27«As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. 28Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. 29Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um só».

 

Estas palavras de Jesus fazem referência à parábola do pastor e do ladrão (vv. 1-6) e são dirigidas aos incrédulos judeus que intimam o Senhor a declarar-lhes abertamente se é ou não o Messias. Jesus censura-os pela sua falta de fé, «vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas!» (v. 26). Falta-lhes docilidade, humildade e amor.

28 «Nunca hão-de perecer», contanto que estas queiram continuar a ser ovelhas que não deixam o Pastor; o Pai é suficientemente poderoso para as defender de qualquer perigo.

30 «Eu e o Pai somos um só». É a resposta mais clara e categórica aos seus inimigos. Jesus aparece não só a afirmar a sua identidade da natureza com o Pai (em grego, uma só coisa – pois é a forma neutra), mas também indica a distinção pessoal, ao dizer somos. Os judeus entendem as palavras de Jesus melhor que os arianos de todos os tempos, considerando que Ele reivindica para Si a divindade, por isso o querem apedrejar (v. 31). Esta afirmação de Jesus situa-se no centro e no eixo de duas afirmações categóricas da sua divindade: 1, 1; 20, 28. Se não fosse verdade, Jesus devia ser apedrejado (v. 31). Ele defende-se à maneira rabínica com um argumen­to corrente nas escolas rabínicas, segundo a regra de Hillel chamada Qal wahômer, isto é, o argumento a fortiori (cf. vv. 35-36); Jesus, sem tirar nada ao que disse, mas reforçando-o, afirma: «para que saibais que o Pai está em Mim e Eu estou no Pai» (v. 38).

 

Sugestões para a homilia

 

Introdução

–   A missão do Bom Pastor

Para que tenham vida

As dificuldades

É, por vocação, mensageiro da paz e da alegria

–   O sacerdote, ovelha e pastor do rebanho

Fidelidade à missão

Precisamos de bons pastores

A meta.

Introdução

Jesus Cristo serve-Se da imagem do bom pastor, para nos explicar a missão que o Pai Lhe entregou e, em união com Ele, a dos Seus continuadores e a nossa de ovelhas do Seu rebanho.

O pastor é uma figura de todas as épocas, porque os rebanhos hão-de ser sempre necessários.

O pastor e o rebanho constroem uma vida em comum. O pastor é para o rebanho, e vive do rebanho (o leite, as crias e os sub-produtos). Caminham juntos e todos se dirigem para o mesmo lugar, provisoriamente para o abrigo na montanha e, finalmente, para o redil em casa.

Jesus Cristo serviu-Se desta imagem para nos ajudar a entender a nossa relação com Ele, e a d’Ele connosco. Vive para nós, dá-nos, não apenas o tempo, mas a Sua vida em alimento.

Quis perpetuar os Seus cuidados de Bom Pastor, no anúncio da Palavra de Deus, no perdão dos pecados e na administração dos Sacramentos, instituindo o sacerdócio ministerial.

O sacerdote é, portanto, apesar das suas fragilidades, uma manifestação do carinho do Senhor para com cada um de nós.

A missão do Bom Pastor

A missão do sacerdote é, por vontade e Jesus Cristo, a continuação da que o Pai Lhe entregou, quando Se fez um de nós.

 

Para que tenham vida. «Paulo e Barnabé […] os exortavam a perseverar na graça de Deus

É esta a finalidade última de toda a acção pastoral: para que as pessoas vivam em graça, como bons filhos de Deus.

Com esta finalidade, o sacerdote proclama a Palavra de Deus, explica-a o melhor que sabe e pode. Não é fácil a pregação. Encontramos pessoas de todas as idades, com uma diversidade muito grande de cultura, e muito diversificadas na sua relação com Deus (cristãos fervorosos, tíbios e desinteressados).

É uma missão que requer muita coragem, porque aqueles que dormem não gostam nada de quem os acorda.

Administra os Sacramentos. Não é dono e senhor deles. Como a palavra o dá a entender, ele é apenas um administrador que dará contas a Deus do modo como o fez. Também ele obedece ao que Jesus Cristo, pela Hierarquia da Igreja, lhe manda.

Faz oração. Ensina as pessoas a falar com Deus, e tem por missão rezar. A Liturgia das Horas diária (Breviário) é pelos fiéis; e o pároco celebra todos os Domingos uma missa (grátis) pelas intenções dos paroquianos.

 

As dificuldades. «Ao verem a multidão, (os judeus) encheram-se de inveja e responderam com blasfémias

Esta atitude dos ouvintes de Paulo e Barnabé levanta dentro de nós uma pergunta a que cada um, no seu íntimo, deve responder. Por quê, o anti-clericalismo do meio em que vivemos?

O sacerdote tem de ser incómodo. As pessoas encaram-no como um ‘polícia de costumes’, ou um ‘desmancha-prazeres’.

Afinal, é apenas um irmão mais velho que nos quer ajudar. Sendo cheio de defeitos e fraquezas, enquanto luta para tornar mais perfeita a sua vida, deixa transparecer a acção de Jesus Cristo. Assim compreendemos logo que o bem realizado não é obra de um homem frágil, mas de Deus.

 

É, por vocação, mensageiro da paz e da alegria. «Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra

Distribui a alegria e a paz às mãos cheias no Sacramento da Reconciliação e Penitência, no conselho amigo, quando o procuramos e lembramo-nos continuamente que vamos a caminho da felicidade eterna.

É um companheiro de viagem a caminho do Céu. Não diz: «ide!», mas: «vamos».

Deus quer fazer passar a nossa alegria de viver pela missão de homens que precisam também de quem os ajude a manter o optimismo na sua missão.

O sacerdote, ovelha e pastor do rebanho

Cada pessoal deve santificar-se na vocação que recebeu de Deus, e o sacerdote não é excepção desta regra.

Cumprirá a sua missão na medida em que for também ovelha dócil do rebanho e Cristo, fiel aos seus pastores.

 

Fidelidade à missão. «As Minhas ovelhas escutam a Minha voz.» Obedece aos mesmos Mandamentos da Lei de Deus e recebe os mesmos sacramentos como os demais fiéis.

Não faz o que lhe apetece, não segue os seus gostos pessoais, mas aquilo que lhe parece ser a vontade e Deus.

Engana-se, como qualquer outra pessoa, embora tenha uma preparação especializada para esta missão (além dos 12 anos de escolaridade, tem mais cinco numa faculdade de teologia e dois de pastoral e estágio).

No exercício da sua missão pastoral, recebe orientações claras e precisas, exigentes. Quando as transmite, não segue a própria opinião, mas obedece e não pode fazer de outro modo.

A verdade e sinceridade no ministério são as duas primeiras virtudes que os fiéis esperam dele. Quando tem de dizer a uma pessoa que não está em condições de receber a absolvição sacramental, ou a Sagrada Comunhão, obedece, sofre, e faz um acto de caridade, ajudando aquela pessoa em causa a descobrir o perigo em que se encontra.

(Que direito teria um médico de dizer a um doente que está muito bem e não necessita de tratamento, quando ele está muito doente e sabe que ele, com tratamento urgente e adequado, pode recuperar a saúde?)

Além disso, terá de prestar contas a Deus sobre o modo como actua, porque é apenas um administrador. Um dia, também ele ouvirá da boca do Senhor: «Dá-me contas da tua administração».

 

Precisamos de bons pastores. «Eu conheço as Minhas ovelhas e elas seguem-Me.» Esta frase de Jesus coloca-nos diversas perguntas.

– Desejam as famílias ter filhos sacerdotes? Fazem alguma coisa (oração, preparar os filhos para que sejam generosos) para que vocação sacerdotal possa florir no seu lar?

Há algumas famílias que rezam pela vocação… dos filhos dos outros. Para os seus sonham com grandezas que não levam a nada.

Hoje corre-se o risco de todo o projecto de vida para os filhos se fixar num curso vistoso, numa grande fortuna, na afirmação pessoal.

Graças a Deus, hoje, aos olhos do mundo, ser sacerdote já não é grandeza, promoção de qualquer espécie (nem sequer económica!), mas apenas serviço aos irmãos.

– Jesus recomenda, perante a escassez de trabalhadores para a sua vinha (a Igreja): «Pedi, pois, ao senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe.» Rezamos, de facto, em família, para que aumente o número e a qualidade dos sacerdotes?

– Sofremos quando chegamos ao conhecimento de que algum sacerdote ficou pelo caminho? Trata-se e um problema familiar e, portanto, deveríamos sentir a mesma atitude de quando uma pessoa da nossa família choca pelo o seu comportamento. Mais ainda, quando se trata dos pais ou dos irmãos.

 

A meta. «O Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água viva

A leitura do Livro do Apocalipse dá-nos um vislumbre do Céu, recordando-nos a meta para onde caminhamos.

É para chegarmos a esta meta, felizes e contentes, que o Senhor nos dá tantos auxílios e nos reúne, no primeiro dia da semana, Dia do Senhor, nesta Celebração da Eucaristia.

Além de nos ensinar o caminho, com a Sua Palavra, alimenta-nos para a caminhada da semana que está a começar e envia-nos para junto das outras pessoas, para que sejamos junto delas, pelo exemplo e pela palavra, um reflexo do Bom Pastor.

Maria, Mãe do Sumo e Eterno Sacerdote, nos alcance a graça de muitos sacerdotes: sábios, alegres e com espírito desportivo, porque, sendo assim, serão santos.

 

Fala o Santo Padre

 

Tema: O testemunho suscita vocações.

 

Veneráveis Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,

Amados Irmãos e Irmãs!

O 47º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no IV Domingo de Páscoa – Domingo do «Bom Pastor» –, a 25 de Abril de 2010, oferece-me a oportunidade de propor à vossa reflexão um tema que quadra bem com o Ano Sacerdotal: O testemunho suscita vocações. De facto, a fecundidade da proposta vocacional depende primariamente da acção gratuita de Deus, mas é favorecida também – como o confirma a experiência pastoral – pela qualidade e riqueza do testemunho pessoal e comunitário de todos aqueles que já responderam ao chamamento do Senhor no ministério sacerdotal e na vida consagrada, pois o seu testemunho pode suscitar noutras pessoas o desejo de, por sua vez, corresponder com generosidade ao apelo de Cristo. Assim, este tema apresenta-se intimamente ligado com a vida e a missão dos sacerdotes e dos consagrados. Por isso, desejo convidar todos aqueles que o Senhor chamou para trabalhar na sua vinha a renovarem a sua fidelidade de resposta, sobretudo neste Ano Sacerdotal que proclamei por ocasião dos 150 anos de falecimento de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, modelo sempre actual de presbítero e pároco.

Já no Antigo Testamento os profetas tinham consciência de que eram chamados a testemunhar com a sua vida aquilo que anunciavam, prontos a enfrentar mesmo a incompreensão, a rejeição, a perseguição. A tarefa, que Deus lhes confiara, envolvia-os completamente, como um «fogo ardente» no coração impossível de conter (cf. Jr 20,9), e, por isso, estavam prontos a entregar ao Senhor não só a voz, mas todos os elementos da sua vida. Na plenitude dos tempos, será Jesus, o enviado do Pai (cf. Jo 5,36), que, através da sua missão, testemunha o amor de Deus por todos os homens sem distinção, com especial atenção pelos últimos, os pecadores, os marginalizados, os pobres. Jesus é a suprema Testemunha de Deus e da sua ânsia de que todos se salvem. Na aurora dos novos tempos, João Baptista, com uma vida gasta inteiramente para preparar o caminho a Cristo, testemunha que, se cumprem, no Filho de Maria de Nazaré, as promessas de Deus. Quando O vê chegar ao rio Jordão, onde estava a baptizar, João indica-O aos seus discípulos como «o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo» (Jo 1,29). O seu testemunho é tão fecundo que dois dos seus discípulos, «ouvindo o que ele tinha dito, seguiram Jesus» (Jo 1,37).

Também a vocação de Pedro, conforme no-la descreve o evangelista João, passa pelo testemunho de seu irmão André; este, após ter encontrado o Mestre e aceite o seu convite para permanecer com Ele, logo sente necessidade de comunicar a Pedro aquilo que descobriu «permanecendo» junto do Senhor: «’Encontrámos o Messias’ (que quer dizer Cristo). E levou-o a Jesus» (Jo 1,41-42). O mesmo aconteceu com Natanael – Bartolomeu –, graças ao testemunho doutro discípulo, Filipe, que cheio de alegria lhe comunica a sua grande descoberta: «Acabámos de encontrar Aquele de quem escreveu Moisés na Lei e que os Profetas anunciaram: é Jesus, o filho de José, de Nazaré» (Jo 1,45). A iniciativa livre e gratuita de Deus cruza-se com a responsabilidade humana daqueles que acolhem o seu convite, e interpela-os para se tornarem, com o próprio testemunho, instrumentos do chamamento divino. O mesmo acontece, ainda hoje, na Igreja: Deus serve-se do testemunho de sacerdotes fiéis à sua missão, para suscitar novas vocações sacerdotais e religiosas para o serviço do seu Povo. Por esta razão, desejo destacar três aspectos da vida do presbítero, que considero essenciais para um testemunho sacerdotal eficaz.

Elemento fundamental e comprovado de toda a vocação ao sacerdócio e à vida consagrada é a amizade com Cristo. Jesus vivia em constante união com o Pai, e isto suscitava nos discípulos o desejo de viverem a mesma experiência, aprendendo d’Ele a comunhão e o diálogo incessante com Deus. Se o sacerdote é o «homem de Deus», que pertence a Deus e ajuda a conhecê-Lo e a amá-Lo, não pode deixar de cultivar uma profunda intimidade com Ele e permanecer no seu amor, reservando tempo para a escuta da sua Palavra. A oração é o primeiro testemunho que suscita vocações. Tal como o apóstolo André comunica ao irmão que conheceu o Mestre, assim também quem quiser ser discípulo e testemunha de Cristo deve tê-Lo «visto» pessoalmente, deve tê-Lo conhecido, deve ter aprendido a amá-Lo e a permanecer com Ele.

Outro aspecto da consagração sacerdotal e da vida religiosa é o dom total de si mesmo a Deus. Escreve o apóstolo João: «Nisto conhecemos o amor: Jesus deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo3,16). Com estas palavras, os discípulos são convidados a entrar na mesma lógica de Jesus que, ao longo de toda a sua vida, cumpriu a vontade do Pai até à entrega suprema de Si mesmo na cruz. Manifesta-se aqui a misericórdia de Deus em toda a sua plenitude; amor misericordioso que derrotou as trevas do mal, do pecado e da morte. A figura de Jesus que, na Última Ceia, Se levanta da mesa, depõe o manto, pega numa toalha, ata-a à cintura e Se inclina a lavar os pés aos Apóstolos, exprime o sentido de serviço e doação que caracterizou toda a sua vida, por obediência à vontade do Pai (cf. Jo 13,3-15). No seguimento de Jesus, cada pessoa chamada a uma vida de especial consagração deve esforçar-se por testemunhar o dom total de si mesma a Deus. Daqui brota a capacidade para se dar depois àqueles que a Providência lhe confia no ministério pastoral, com dedicação plena, contínua e fiel, e com a alegria de fazer-se companheiro de viagem de muitos irmãos, a fim de que se abram ao encontro com Cristo e a sua Palavra se torne luz para o seu caminho. A história de cada vocação cruza-se quase sempre com o testemunho de um sacerdote que vive jubilosamente a doação de si mesmo aos irmãos por amor do Reino dos Céus. É que a presença e a palavra de um padre são capazes de despertar interrogações e de conduzir mesmo a decisões definitivas (cf. João Paulo II, Exort. ap. pós-sinodal Pastores dabo vobis, 39).

Um terceiro aspecto que, enfim, não pode deixar de caracterizar o sacerdote e a pessoa consagrada é viver a comunhão. Jesus indicou, como sinal distintivo de quem deseja ser seu discípulo, a profunda comunhão no amor: «É por isto que todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,35). De modo particular, o sacerdote deve ser um homem de comunhão, aberto a todos, capaz de fazer caminhar unido todo o rebanho que a bondade do Senhor lhe confiou, ajudando a superar divisões, sanar lacerações, aplanar contrastes e incompreensões, perdoar as ofensas. Em Julho de 2005, no encontro com o Clero de Aosta, afirmei que os jovens, se virem os sacerdotes isolados e tristes, com certeza não se sentirão encorajados a seguir o seu exemplo. Levados a considerar que tal possa ser o futuro de um padre, vêem aumentar a sua hesitação. Torna-se importante, pois, realizar a comunhão de vida, que lhes mostre a beleza de ser sacerdote. Então, o jovem dirá: «Isto pode ser um futuro também para mim, assim pode-se viver» (Insegnamenti, vol. I/2005, 354). O Concílio Vaticano II, referindo-se ao testemunho capaz de suscitar vocações, destaca o exemplo de caridade e de fraterna cooperação que devem oferecer os sacerdotes (cf. Decreto Optatam totius, 2).

Apraz-me recordar o que escreveu o meu venerado predecessor João Paulo II: «A própria vida dos padres, a sua dedicação incondicional ao rebanho de Deus, o seu testemunho de amoroso serviço ao Senhor e à sua Igreja – testemunho assinalado pela opção da cruz acolhida na esperança e na alegria pascal –, a sua concórdia fraterna e o seu zelo pela evangelização do mundo são o primeiro e mais persuasivo factor de fecundidade vocacional» (Pastores dabo vobis, 41). Poder-se-ia afirmar que as vocações sacerdotais nascem do contacto com os sacerdotes, como se fossem uma espécie de património precioso comunicado com a palavra, o exemplo e a existência inteira.

Isto aplica-se também à vida consagrada. A própria existência dos religiosos e religiosas fala do amor de Cristo, quando O seguem com plena fidelidade ao Evangelho e assumem com alegria os seus critérios de discernimento e conduta. Tornam-se «sinais de contradição» para o mundo, cuja lógica frequentemente é inspirada pelo materialismo, o egoísmo e o individualismo. A sua fidelidade e a força do seu testemunho, porque se deixam conquistar por Deus renunciando a si mesmos, continuam a suscitar no ânimo de muitos jovens o desejo de, por sua vez, seguirem Cristo para sempre, de modo generoso e total. Imitar Cristo casto, pobre e obediente e identificar-se com Ele: eis o ideal da vida consagrada, testemunho do primado absoluto de Deus na vida e na história dos homens.

Fiel à sua vocação, cada presbítero, cada consagrado e cada consagrada transmite a alegria de servir Cristo, e convida todos os cristãos a responderem à vocação universal à santidade. Assim, para se promoverem as vocações específicas ao ministério sacerdotal e à vida consagrada, para se tornar mais forte e incisivo o anúncio vocacional, é indispensável o exemplo daqueles que já disseram o próprio «sim» a Deus e ao projecto de vida que Ele tem para cada um. O testemunho pessoal, feito de opções existenciais e concretas, há-de encorajar, por sua vez, os jovens a tomarem decisões empenhativas que envolvem o próprio futuro. Para ajudá-los, é necessária aquela arte do encontro e do diálogo capaz de os iluminar e acompanhar sobretudo através do exemplo de vida abraçada como vocação. Assim fez o Santo Cura d’Ars, que, no contacto permanente com os seus paroquianos, «ensinava sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar» (Carta de Proclamação do Ano Sacerdotal, 16/06/2009).

Que este Dia Mundial possa oferecer, uma vez mais, preciosa ocasião para muitos jovens reflectirem sobre a própria vocação, abrindo-se a ela com simplicidade, confiança e plena disponibilidade. A Virgem Maria, Mãe da Igreja, guarde o mais pequenino gérmen de vocação no coração daqueles que o Senhor chama a segui-Lo mais de perto; faça com que se torne uma árvore frondosa, carregada de frutos para o bem da Igreja e de toda a humanidade. Por esta intenção rezo, enquanto concedo a todos a Bênção Apostólica.

 

Bento XVI, Vaticano, 13 de Novembro de 2009

LITURGIA EUCARÍSTICA

 

INTRODUÇÃO

 

Depois de nos ter iluminado com a Sua Palavra, Jesus Cristo – pelo ministério do sacerdote – vai agora transubstanciar o pão e o vinho que oferecemos, no Seu Corpo e Sangue, para nossa alimento.

Na intimidade do nosso recolhimento, pensemos que, sem sacerdotes, não há Reconciliação e Penitência nem celebração da Eucaristia, e agradeçamos, uma vez mais, este dom.

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Concedei, Senhor, que em todo o tempo possamos alegrar-nos com estes mistérios pascais, de modo que o acto sempre renovado da nossa redenção seja para nós causa de alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

 

SANTO

 

Saudação da Paz

 

Cada fiel deve ser um mensageiro da paz que Jesus veio trazer à terra. Não faria sentido dar a paz aos outros, se nós mesmos não estivéssemos em paz com Deus e com os irmãos.

Manifestemos entre nós, com o gesto ritual, esta paz que desejamos ter e comunicar.

 

Saudai-vos na paz de Cristo!

 

Monição da Comunhão

 

Neste momento em que nos preparamos para receber a Sagrada Comunhão, examinemos a nossa consciência, para verificarmos se estamos em condição de a receber, e avivemos a nossa fé.

No recolhimento deste encontro com Jesus Cristo na Eucaristia não nos esqueçamos de agradecer o dom do sacerdócio ministerial e de Lhe pedir muitos e santos sacerdotes.

ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Ressuscitou o Bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Deus, nosso Bom Pastor, olhai benignamente para o vosso rebanho e conduzi às pastagens eternas as ovelhas que remistes com o precioso Sangue do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

RITOS FINAIS

 

Monição final

 

Saímos da Igreja, não com o espírito de que acabámos de cumprir um dever e tudo acabou, mas conscientes de que somos enviados por Cristo às mais diversas pessoas com quem nos vamos encontrar durante a semana.

A todos demos testemunho de que Deus nos ama como o melhor do pais e a todos deseja ver felizes.

 

 

Celebração e Homilia:         FERNANDO SILVA

Nota Exegética:                    GERALDO MORUJÃO

Homilias Feriais:                  NUNO ROMÃO

Sugestão Musical:                DUARTE NUNO ROCHA