RITOS INICIAIS

Antífona de entrada: Salvé, Santa Mãe, que destes à luz o Rei do céu e da terra.

Ou

cf. Is 9, 2.6; Lc 1, 33

Hoje sobre nós resplandece uma luz: nasceu o Senhor. O seu nome será Admirável, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. E o seu reino não terá fim.

Diz-se o Glória.

Introdução ao espírito da Celebração

O êxito de uma empresa depende de um bom começo, da comunhão fraterna entre os membros que a compõem, familiares, amigos e conhecidos, e trabalhadores.

A nosssa preocupação é a espiritual, de comunhão com Deus, com Maria Mãe de Deus, com a igreja.

A felicidade depende do trabalho para melhorar o nosso amor à santificação no ano que começamos.

Oração colecta: Senhor nosso Deus, que, pela virgindade fecunda de Maria Santíssima, destes aos homens a salvação eterna, fazei-nos sentir a intercessão daquela que nos trouxe o Autor da vida, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Liturgia da Palavra

Primeira Leitura

Monição: Escutemos a fórmula da benção do povo de Israel, para obter benevolência de Deus e paz i.e. todo o conjunto de bens.

Números 6, 22-27

22O Senhor disse a Moisés: 23«Fala a Aarão e aos seus filhos e diz-lhes: Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo: 24‘O Senhor te abençoe e te proteja. 25O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. 26O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz’. 27Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei».

24-26 Esta é uma bênção própria da liturgia judaica, ainda hoje usada. É tripla e crescente: com três palavras a primeira; com 5 palavras e com 7 as seguintes (no original hebraico). A tríplice invocação do Senhor, faz-nos lembrar a bênção da Igreja, em nome das Três Pessoas da SS. Trindade.

Quando, ao começar o ano civil, nos saudamos desejando Ano Novo feliz, aqui temos as felicitações, isto é, as bênçãos que o Senhor – e a Igreja – nos endereça.

Salmo Responsorial

Salmo 66 (67), 2-3.5.6 e 8 (R. 2a)

Monição: Salmo de gratidão pelas colheitas; seja, ainda, de súplica de graças para o ano que começa.

Refrão:      Deus Se compadeça de nós

e nos dê a sua bênção.

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção,
resplandeça sobre nós a luz do seu rosto.
Na terra se conhecerão os seus caminhos
e entre os povos a sua salvação.

Alegrem-se e exultem as nações,
porque julgais os povos com justiça
e governais as nações sobre a terra.

Os povos Vos louvem, ó Deus,
todos os povos Vos louvem.
Deus nos dê a sua bênção
e chegue o seu temor aos confins da terra.

Segunda Leitura

Monição: Esta leitura descreve-nos um efeito da Incarnação do Filho de Deus, «nascido duma mulher», isto é, MARIA, para recebermos a adopção de filhos.

Gálatas 4, 4-7

Irmãos: 4Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, 5para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos. 6E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: «Abbá! Pai!». 7Assim, já não és escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus.

O texto escolhido para hoje corresponde à única vez que S. Paulo, em todas as suas cartas, menciona directamente a Virgem Maria. Não deixa de ser interessante a alusão à Mãe de Jesus, sem mencionar o pai, o que parece insinuar a maternidade virginal de Maria.

5 Segundo o pensamento paulino, Cristo, sofrendo e morrendo, satisfaz as exigências punitivas da Lei, que exigia a morte do pecador; assim «resgatou os que estavam sujeitos à Lei» e mereceu-nos vir a ser filhos adoptivos de Deus. O Natal é a festa do nascimento do Filho de Deus e também a da nossa filiação divina.

6 «Abbá». Porque somos realmente filhos de Deus, podemos dirigirmo-nos a Ele com a confiança de filhos pequenos e chamar-Lhe, à maneira das criancinhas: «Papá». «Abbá» é o diminutivo carinhoso com que ainda hoje, em Israel, os filhos chamam pelo pai (abbá). S. Paulo, escrevendo em grego e para destinatários que na maior parte não sabiam hebraico, parece querer manter a mesma expressão carinhosa e familiar com que Jesus se dirigia ao Pai, a qual teria causado um grande impacto nos próprios discípulos, porque jamais um judeu se tinha atrevido a invocar a Deus desta maneira; esta é a razão pela qual a tradição não deixou perder esta tão significativa palavra original de Jesus.

Aclamação ao Evangelho Hebr 1, 1-2

Monição: Jesus será como indica o Seu nome, o realizador da salvação; n’Ele está a paz e toda a economia da redenção total e definitiva.

Aleluia

Muitas vezes e de muitos modos

falou Deus antigamente aos nossos pais pelos Profetas.

Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por seu Filho.

Evangelho

São Lucas 2, 16-21

Naquele tempo, 16os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. 17Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. 18E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. 19Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração. 20Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. 21Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno.

Texto na maior parte coincidente com o do Evangelho da Missa da Aurora do dia de Natal (ver notas supra).

21 Repetidas vezes se insiste em que o nome de Jesus é um nome designado por Deus: o nome, etimologicamente, significa aquilo que Jesus é na realidade, «Yahwéh que salva».

Sugestões para a homilia

1. Mãe de Deus

Na oitava do Natal a Igreja celebra a festa de «Maria, Mãe de Deus».

Acentua-se nas leituras a referência ao «filho de Maria» e «Nome do Senhor» mais do que Maria.

A preponderante atenção sobre o Filho não reduz o papel da Mãe; Maria é totalmente Mãe de Deus porque esteve em total relação com Cristo; por isso honrando-a, o Filho é mais glorificado.

Assim exprime-se a missão de Maria na história da salvação, que está na base do culto e da devoção do povo cristão; Maria não recebeu o dom de Deus só para si, mas para levá-lo ao mundo.

2. Mãe do homem

Jesus ou Deus salva introduz-nos em cheio no mistério de Cristo: da encarnação ao nascimento, à circuncisão, até a realização pascal da morte e ressurreição, Jesus é todo o Seu ser

– perfeita benção de Deus,

– dom de salvação e de paz para os homens,

– em Seu nome somos salvos.

A oferta da salvação vem por Maria e ela a apresenta ao povo de Deus, como outrora aos pastores.

Maria que deu a vida ao Filho de Deus, continua a apresentar aos homens a vida divina.

Por isso é considerada mãe de cada homem que nasce para a vida de Deus, e mãe de todos.

«Com os orientais também nos honramos «Maria sempre Virgem, solenemente proclamada santíssima Mãe de Deus pelo Concílio de Éfeso, para que Cristo fosse reconhecido, em sentido verdadeiro e próprio, Filho de Deus e filho do homem».

3. Viver como filhos de Deus

a) O facto de sermos filhos de Deus faz-nos herdeiros, na esperança de chegarmos a ser algum dia aquilo que Cristo já é: Filhos, no sentido pleno da palavra. O que Ele é neste momento, consitui para nós a garantia daquilo que nós seremos.

Inspira-nos confiança para maiores intimidades com Deus, na oração: «Pai Nosso…»

b) Dignidade humana e cristã: Esta nossa nobreza obriga-nos a viver os compromissos do baptismo.

Somos irmãos, temos a mesma fé, recebemos o mesmo baptismo e temos o mesmo Deus como Pai.

Não haja medo de Deus, desconfiança, temor aos Seus castigos, – Ele é justo –, não é nenhum polícia, mas Pai.

c) Trabalhemos para acabarem as diferenças sociais, sem dar importância à grandeza das famílias, títulos, riquezas ou cargos; as superioridades de raça, condição social, económica, se revejam cristamente;

– aceitação de Cristo pela fé;

– coerência com o nosso novo nascimento pelo baptismo, como reforço da nossa:

– dignidade humana e cristã,

– fraternidade universal,

– sentido de confiança em Deus,

– sentido de vivência cristã familiar e comunitária.

Fala o Santo Padre

«No início de um novo ano, somos convidados a colocarmo-nos na escola da discípula fiel do Senhor.»

Na hodierna liturgia o nosso olhar continua a voltar-se para o grande mistério da encarnação do Filho de Deus enquanto, com particular ênfase, contemplamos a maternidade da Virgem Maria. No trecho paulino que ouvimos (cf. Gl 4, 4), o Apóstolo refere-se de maneira muito discreta àquela, mediante a qual o Filho de Deus entra no mundo: Maria de Nazaré, a Mãe de Deus, a Theotokos. No início de um novo ano, somos como que convidados a colocarmo-nos na sua escola, na escola da discípula fiel do Senhor, para que Ela nos ensine a acolher na fé e na oração a salvação que Deus deseja derramar sobre quantos confiam no seu amor misericordioso.

A salvação é um dom de Deus; na primeira leitura, ela foi-nos apresentada como bênção: «Que o Senhor te abençoe e proteja… te mostre o seu rosto e te conceda a paz» (Nm 6, 24.26). Aqui, trata-se da bênção que os sacerdotes costumavam invocar sobre o povo no final das grandes solenidades litúrgicas, particularmente na festa do ano novo. Encontramo-nos na presença de um texto muito significativo, cadenciado pelo nome do Senhor, que se repete no início de cada versículo. Um texto que não se limita a uma simples enunciação de princípio, mas tende a realizar aquilo que afirma. Como se sabe, no pensamento semítico a bênção do Senhor produz, pela sua própria força, o bem-estar e a salvação, do mesmo modo como a maldição dá lugar à desgraça e à ruína. Além disso, a eficácia da bênção é concretizada de maneira mais específica por parte de Deus que nos protege (cf. v. 24), que nos é propício (cf. v. 25) e que nos concede a paz, ou seja, que nos oferece a abundância da felicidade.

Fazendo-nos ouvir esta antiga bênção, no início de um novo ano solar, é como se a liturgia quisesse encorajar-nos a invocar, por nossa vez, a bênção do Senhor sobre o novo ano, que dá os seus primeiros passos, a fim de que ele seja para todos nós um ano de prosperidade e de paz. […]

«Maria, porém, conservava todos estes factos e meditava sobre eles no seu coração» (Lc 2, 19). O primeiro dia do ano é colocado sob o sinal de uma mulher, Maria. O Evangelista Lucas descreve-a como a Virgem silenciosa, constantemente à escuta da palavra eterna, que vive na Palavra de Deus. Maria conserva no seu coração as palavras que provêm de Deus e, unindo-as como num mosaico, aprende a compreendê-las. Na sua escola, também nós queremos aprender a tornar-nos atentos e dóceis discípulos do Senhor. Com a sua ajuda maternal, desejamos comprometer-nos a trabalhar alegremente na «construção» da paz, na esteira de Cristo, Príncipe da Paz. Seguindo o exemplo da Virgem Santa, queremos deixar-nos orientar sempre e unicamente por Jesus Cristo, que é o mesmo ontem, hoje e para sempre (cf. Hb 13, 8). Amém!

Bento XVI, Vaticano, 1 de Janeiro de 2006

Liturgia Eucarística

Oração sobre as oblatas: Senhor nosso Deus, que dais origem a todos os bens e os levais à sua plenitude, nós Vos pedimos, nesta solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus: assim como celebramos festivamente as primícias da vossa graça, tenhamos também a alegria de receber os seus frutos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

Prefácio de Nossa Senhora I [na maternidade] p. 486 [644-756]

No Cânone Romano diz-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) próprio. Nas Orações Eucarísticas II e III faz-se também a comemoração própria do Natal.

Monição da Comunhão

«A todos os que O receberam … deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus».

Vivamos a comunhão com Cristo.

Antífona da comunhão: Jesus Cristo, ontem e hoje e por toda a eternidade.

Oração depois da comunhão: Recebemos com alegria os vossos sacramentos nesta solenidade em que proclamamos a Virgem Santa Maria, Mãe do vosso Filho e Mãe da Igreja: fazei que esta comunhão nos ajude a crescer para a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Ritos Finais

Monição final

A Eucaristia é o sacramento da unidade, do alimento e salvação contínua desta grande família cristã. Dediquemos-lhe mais amor neste novo ano.

Celebração e Homilia:          Ferreira de Sousa

Nota Exegética:                     Geraldo Morujão

Homilias Feriais:                   Nuno Romão