RITOS INICIAIS

 

Salmo 97, 1-2

ANTÍFONA DE ENTRADA: Cantai ao Senhor um cântico novo, porque o Senhor fez maravilhas: aos olhos das nações revelou a sua justiça. Aleluia.

 

Diz-se o Glória

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

O tema fundamental da liturgia deste 5 º Domingo de Páscoa é o amor: «Nisto conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.» O distintivo dos seguidores de Jesus é o amor fraterno, a capacidade de amar até ao dom total da vida. Por ser o primeiro Domingo de Maio, mês dedicado à Mãe do Puro Amor, celebramos o Dia da Mãe.

 

ORAÇÃO COLECTA: Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

LITURGIA DA PALAVRA

 

Primeira Leitura

 

Monição: Paulo e Barnabé narram o trabalho que tiveram para o crescimento da Igreja: exortavam os discípulos a perseverar na fé, animavam-nos a suportar os sofrimentos para entrar no Reino dos Céus. «Oravam, jejuavam, designavam presbíteros e encomendavam-nos ao Senhor, em Quem tinham acreditado.»

 

Actos dos Apóstolos 14, 21b-27

Naqueles dias, 21bPaulo e Barnabé voltaram a Listra, a Icónio e a Antioquia. 22Iam fortalecendo as almas dos discípulos e exortavam-nos a permanecerem firmes na fé, «porque – diziam eles – temos de sofrer muitas tribulações para entrarmos no reino de Deus». 23Estabeleceram anciãos em cada Igreja, depois de terem feito orações acompanhadas de jejum, e encomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham acreditado. 24Atravessaram então a Pisídia e chegaram à Panfília; 25depois, anunciaram a palavra em Perga e desceram até Atalia. 26De lá embarcaram para Antioquia, de onde tinham partido, confiados na graça de Deus, para a obra que acabavam de realizar. 27À chegada, convocaram a Igreja, contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos gentios a porta da fé.

 

Paulo e Barnabé percorrem agora, em sentido inverso, desde o ponto extremo da 1ª viagem missionária, isto é, desde Derbe, na Licaónia, as cidades que tinham evangelizado na Ásia Menor, com o fim de confirmar na fé e organizar as comunidades cristãs aí fundadas. Não faltou a designação de «anciãos», que não eram meros chefes, corno os havia nas comunidades judaicas da diáspora, mas sim homens que desempenhavam o ministério sagrado em virtude do sacramento da Ordem, recebido com a imposição das mãos e «orações» (v. 23).

25 «Perga»: Cf. nota 14 do passado domingo. «Atalia», actual cidade turca Adalia, era um porto da Panfília.

26 «Antioquia», entenda-se, da Síria, donde tinham saído (corresponde hoje à cidade turca de Antáquia).

27 «O que Deus fizera»: Paulo e Barnabé atribuem a Deus a conversão dos gentios, pois Deus tinha-se servido deles como de instrumentos fiéis e dóceis.

 

Salmo Responsorial

 Sl 144, 8-13ab (R. 1 ou Aleluia)

 

Monição: O salmo de hoje é um hino de louvor, que a Igreja canta, agradecendo a misericórdia divina que se estende a todas as criaturas. Através de Jesus Ressuscitado a bondade do nosso Deus chega a todas as gerações.

 

Refrão:        LOUVAREI PARA SEMPRE O VOSSO NOME,

                     SENHOR, MEU DEUS E MEU REI.

 

Ou:               ALELUIA.

 

O Senhor é clemente e compassivo,

paciente e cheio de bondade.

O Senhor é bom para com todos

e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

 

Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas

e bendigam-Vos os vossos fiéis.

Proclamem a glória do vosso reino

e anunciem os vossos feitos gloriosos.

 

Para darem a conhecer aos homens o vosso poder,

a glória e o esplendor do vosso reino.

O vosso reino é um reino eterno,

o vosso domínio estende-se por todas as gerações.

 

Segunda Leitura

 

Monição: A segunda leitura não é um conto de fadas, mas um mundo novo que surge da Ressurreição de Jesus: «Deus enxugará as lágrimas dos nossos olhos.» A Igreja participa nos sofrimentos de Jesus, neste mundo. Mas esta experiência dolorosa terminará. Na glória celeste, não haverá gemidos nem dor. O mundo antigo desaparecerá. Seremos cidadãos dos novos Céus e da nova terra, porque Deus promete: «Eis que vou renovar todas as coisas!»

 

Apocalipse 21, 1-5a

1Eu, João, vi um novo céu e uma nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido e o mar já não existia. 2Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do Céu, da presença de Deus, bela como noiva adornada para o seu esposo. 3Do trono ouvi uma voz forte que dizia: «Eis a morada de Deus com os homens. Deus habitará com os homens: eles serão o seu povo e o próprio Deus, no meio deles, será o seu Deus. 4Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos; nunca mais haverá morte nem luto, nem gemidos nem dor, porque o mundo antigo desapareceu». 5aDisse então Aquele que estava sentado no trono: «Vou renovar todas as coisas».

 

O livro do Apocalipse culmina com a instauração de um mundo renovado (Apoc 21 – 22).

1 «Um novo Céu e uma nova Terra» é o modo de designar todo o Universo novo, isto é, renovado (como indica o adjectivo grego). Esta renovação visa, sem dúvida, o aspecto moral; uma renovação que visa primariamente, a supressão do pecado. Não parece estar excluída também uma renovação física, sobretudo tendo em conta o que se diz em 2 Pe 3, 10-13 e Rom 8, 19-22. A expressão é tirada de ls 65, 17; 66, 22. O que se passará, em concreto, com o Universo no fim dos tempos continua sendo um mistério (cf. Gaudium et Spes, nº 139). De qualquer modo, a renovação de que se fala é de ordem sobrenatural e misteriosa e não fruto dum simples processo evolutivo natural.

2-3 «A Jerusalém nova» é uma imagem da Igreja, a Esposa do Cordeiro (vv. 9-10), «noiva adornada para o seu esposo». Também S. Paulo chama a Igreja «a Jerusalém lá do alto, que é nossa Mãe» (Gal 4, 26). E é frequente, na Tradição cristã – inclusive na Liturgia –, acomodar esta simbologia a Nossa Senhora, a Esposa do Espírito Santo, Mãe e modelo da Igreja. Veja-se também 2 Cor 11, 2; Ef 5, 25; Mt 22, 1; 25, 1; Jo 3, 29. A Igreja aparece-nos aqui na sua fase definitiva e final, celeste e triunfante, mas, desde já, ela é a verdadeira «a morada de Deus com os homens»: esta presença única de Deus inicia-se com a Incarnação e é consumada no Céu.

 

Aclamação ao Evangelho       

 Jo 13, 34

 

Monição: Aclamemos Jesus Cristo. Aceitemos o seu Mandamento Novo. Cantar é próprio de quem ama. De pé, cantemos jubilosamente: aleluia!

 

ALELUIA

 

Dou-vos um mandamento novo, diz o Senhor:  amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei.

 

 

Evangelho

 

São João 13, 31-33a.34-35

31Quando Judas saiu do Cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora foi glorificado o Filho do homem 32e Deus foi glorificado n’Ele. Se Deus foi glorificado n’Ele, Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora. 33aMeus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. 34Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. 35Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros».

 

A saída de Judas da Ceia para concretizar a prisão de Jesus, dando início à sua Paixão, aparece como o início da sua glorificação. É que a Paixão e a Morte do Senhor não é urna derrota, mas é uma vitória sobre o demónio e o pecado. Por outro lado, se temos em conta que o verbo glorificar, sobretudo na forma médio-passiva, como é este o caso, tem um sentido manifestativo, em vez de «agora foi glorificado…» poderia traduzir-se: «agora é que se revela a glória…» (cf. Jo 12, 23; 17, 1-5). Sendo assim, o texto joanino indica que na Paixão-Morte-Ressurreição se mostra a glória de Cristo, ao dar, por meio da sua morte, a vida eterna e o Espírito Santo aos que crêem. O dizer que já foi glorificado é uma expressão considerada proléptica, pois dá como já realizado aquilo que com toda a certeza se vai realizar.

34-35 A lei do amor fraterno não era uma novidade (cf. Lv 19, 18), mas Jesus dá-lhe um sentido e uma medida nova, que não é apenas a medida dum coração humano, mas a do coração de Cristo – «como Eu vos amei» –, que entrega a sua vida pela redenção de todos (cf. 1 Jo 4, 9-11). Segundo conta Tertuliano (Apolog. 39), os primeiros cristãos tomaram tão a sério estas palavras do Senhor, que os pagãos exclamavam admirados: «vede como eles se amam!» (cf. Jo 15, 12.13.17; 1 Jo 2, 8; Mt 22, 39; Jo 17, 23; Act 4, 32). Por outro lado, «o mandamento novo» sugere a Nova Aliança, pois então a Lei e a Aliança se consideravam duas noções paralelas; no entanto, aqui, Jesus actua não como um simples intermediário de Deus, à maneira de Moisés, mas com uma autoridade própria e em seu nome próprio, ao dizer: «Eu dou-vos um mandamento…».

 

Sugestões para a homilia

Dou-vos um mandamento novo

O Evangelho de hoje faz parte do colóquio entre Jesus e os Apóstolos na Última Ceia. Jesus anuncia a traição de Judas e quando este saiu do Cenáculo, Jesus afirmou: «Agora foi glorificado o Filho do homem, e Deus foi glorificado nele». O verbo «glorificar» aparece repetido cinco vezes neste pequeno texto. Com isto Jesus ensina-nos que vai sofrer, mas a Sua Paixão será gloriosa, será a Sua glorificação. Jesus, como um pai, faz o seu testamento de despedida e recorda o que é essencial em poucas palavras: «Dou-vos um mandamento novo, amai-vos uns aos outros como Eu vos ameiPor este sinal todos conhecerão que sois meus discípulos». O mandamento do amor fraterno é o testamento e a herança que o Senhor nos deixou. Por vontade expressa de Jesus é o amor o sinal que identifica os seus discípulos. O amor é também sinal da presença invisível, mas real, da presença do Divino Mestre no meio de nós.

Um mandamento novo. Novo pela universalidade do amor que Jesus recomenda em favor de todos os homens, inclusive os inimigos; novo porque Jesus é o modelo: amai-vos como Eu vos amei. Daí a importância do amor fraterno que Jesus equiparou ao amor de Deus. O sinal que distinguirá os Seus seguidores será a caridade fraterna. Novo porque este amor nasce no contexto da Última Ceia em que Jesus fala na Nova Aliança no Seu Sangue derramado pela multidão dos homens. Não é uma obrigação imposta, mas um dom concedido gratuitamente aos que acreditam em Jesus. Desta benevolência recebida na mesa da comunhão brota o amor cristão a Deus e ao próximo. O amor, juntamente com a fé, constitui o fundamento do cristianismo. Como é que conheceremos hoje os cristãos? Nas celebrações do culto, na participação da Missa, nas outras devoções tradicionais? A originalidade da vocação cristã, no nosso mundo, marcado pela incredulidade e pelo ódio, é a fé que actua por meio da caridade (Gal 5, 6).

Por este sinal todos conhecerão que sois meus discípulos

Irmãos, é bom pertencer à Igreja católica, com os seus dogmas e tradições, com a sua organização e estruturas. É bom ir à Missa, recitar o Credo, participar nas celebrações e nas orações. É bom darmos esmola. É bom trazer ou ter em casa objectos religiosos, como cruzes, imagens, medalhas… No entanto, tudo isso são apenas sinais, mas não «o sinal». O que nos constitui pessoalmente cristãos é o amor que o Pai nos tem em Cristo e que o Espírito Santo derrama nos nossos corações. Não podemos inventar outro sinal. Aceitemos o pedido de Jesus: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Na Igreja primitiva, os crentes tinham um só coração e uma só alma (Act4, 32). No tempo de Tertuliano, as pessoas comentavam acerca dos cristãos: «vede como se amam». Mais próximo de nós, o poeta indiano Tagore já tinha outra opinião. Depois de ter viajado pela Europa, afirmou decepcionado: «Jesus, o Rabi da Galileia deveria ter vivido e ensinado a Sua mensagem de amor e de fraternidade nas margens do rio Ganges. A sua Boa Nova, certamente teria tido muito mais aceitação entre os povos orientais do que nos ocidentais». (cf. B Caballero, En las fuentes de la Palabra, p. 884-887) Pergunta inquietante: ao sairmos da Eucaristia, alguém nos reconhecerá como discípulos de Jesus Cristo?

 

 

LITURGIA EUCARÍSTICA

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Senhor nosso Deus, que, pela admirável permuta de dons neste sacrifício, nos fazeis participar na comunhão convosco, único e sumo bem, concedei-nos que, conhecendo a vossa verdade, dêmos testemunho dela na prática das boas obras. Por Nosso Senhor.

 

Prefácio pascal: p. 469[602-714]ou 470-473

 

SANTO

 

Monição da Comunhão

 

Cantávamos com o salmista: «O Senhor é bom para com todos! A sua misericórdia estende-se a todas as criaturas.» Jesus ressuscitado oferece-nos o seu corpo imolado, glorioso, ressuscitado. Escondido, mas presente no Pão consagrado. Que bondade! Sejamos agradecidos.

Jo 15, 1.5

ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Eu sou a videira e vós sois os  ramos, diz o Senhor. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, dá fruto abundante. Aleluia.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Protegei, Senhor, o vosso povo que saciastes nestes divinos mistérios e fazei-nos passar da antiga condição do pecado à vida nova da graça. Por Nosso Senhor.

 

 

RITOS FINAIS

 

Monição final

 

Jesus diz-nos: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!»

«No entardecer da vida sermos julgados sobre o Amor!»

«A alma que anda no Amor, nem cansa, nem se cansa!»

(S. João da Cruz)

 

 

 

Celebração e Homilia:         JOSÉ ROQUE

Nota Exegética:                    GERALDO MORUJÃO

Homilias Feriais:                  NUNO ROMÃO

Sugestão Musical:                DUARTE NUNO ROCHA