Na iminência da solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem e no contexto do Ano Sacerdotal, Bento XVI dedicou a catequese da audiência geral de quarta-feira 12 de Agosto ao vínculo entre a Virgem Maria e a vida do presbítero.

Caros irmãos e irmãs

É iminente a celebração da solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem, no próximo sábado, e estamos no contexto do Ano sacerdotal; assim, gostaria de falar do nexo entre Nossa Senhora e o sacerdócio. É um nexo profundamente arraigado no mistério da Encarnação. Quando Deus decidiu fazer-se homem no seu Filho, tinha necessidade do “sim” livre de uma sua criatura. Deus não age contra a nossa liberdade. E aconteceu algo verdadeiramente extraordinário: Deus faz-se dependente da liberdade, do “sim” de uma sua criatura; espera este “sim”. Numa das suas homilias, São Bernardo de Claraval explicou de modo dramático este momento decisivo da história universal, onde o céu, a terra e o próprio Deus aguardam o que esta criatura dirá.

Por conseguinte, o “sim” de Maria é a porta através da qual Deus pôde entrar no mundo, fazer-se homem. Assim, Maria está real e profundamente comprometida no mistério da Encarnação, da nossa salvação. E a Encarnação, o fazer-se homem do Filho, estava desde o início finalizada para o dom de si; ao doar-se com muito amor na Cruz, para se fazer pão pela vida do mundo. Assim, sacrifício, sacerdócio e Encarnação caminham juntos, e Maria está no centro deste mistério.

Agora, vamos até à Cruz. Antes de morrer, Jesus vê a Mãe aos pés da Cruz; e vê o filho predilecto, e este filho predilecto certamente é uma pessoa, um indivíduo muito importante, mas é mais: é um exemplo, uma prefiguração de todos os discípulos amados, de todas as pessoas chamadas pelo Senhor para ser “discípulo amado” e, por conseguinte, de modo particular também dos sacerdotes. Jesus diz a Maria: “Mãe, eis o teu filho” (Jo 19, 26). É uma espécie de testamento: confia a sua Mãe à atenção do filho, do discípulo. Mas diz inclusive ao discípulo: “Eis a tua Mãe” (Jo 19, 27). O Evangelho diz-nos que a partir deste momento São João, o filho predilecto, recebeu a Mãe Maria, “na sua casa”. Assim é na tradução italiana; mas o texto grego é muito mais profundo, muito mais rico. Poderíamos traduzi-lo: recebeu Maria no íntimo da sua vida, do seu ser, “eis tá ídia”, na profundidade do seu ser. Receber Maria significa introduzi-la no dinamismo de toda a própria existência não é algo exterior e em tudo aquilo que constitui o horizonte do próprio apostolado. Portanto, parece-me que se compreende como a relação peculiar de maternidade existente entre Maria e os presbíteros constitui a fonte primária, o motivo fundamental da predilecção que nutre por cada um deles. Efectivamente, Maria tem predilecção por eles por dois motivos: porque, são mais semelhantes a Jesus, amor supremo do seu coração, e porque também eles, como Ela, estão comprometidos na missão de proclamar, testemunhar e oferecer Cristo ao mundo. Pela sua identificação e conformação sacramental com Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria, cada sacerdote pode e deve sentir-se verdadeiramente filho predilecto desta Mãe excelsa e humilíssima.

O Concílio Vaticano II convida os sacerdotes a olhar para Maria como o modelo perfeito da sua existência, invocando-a como “Mãe do sumo e eterno Sacerdote, Rainha dos Apóstolos, Auxílio dos presbíteros no seu ministério”. E os presbíteros continua o Concílio “devem portanto venerá-la e amá-la com devoção e culto filial” (cf. Presbyterorum ordinis, 18). O Santo Cura d’Ars, em quem pensamos particularmente neste ano, gostava de repetir: “Depois de nos ter doado tudo aquilo que podia oferecer, Jesus Cristo ainda nos quer tornar herdeiros de quanto Ele possui de mais precioso, ou seja, a sua Santa Mãe” (B. Nodet, Il pensiero e l’anima del Curato d’Ars, Turim 1967, pág. 305). Isto é válido para cada cristão, para todos nós, mas de maneira especial para os sacerdotes. Estimados irmãos e irmãs, oremos para que Maria torne todos os sacerdotes, em todos os problemas do mundo contemporâneo, conformes com a imagem do seu Filho Jesus, dispensadores do tesouro inestimável do seu amor de Bom Pastor. Maria, Mãe dos sacerdotes, intercede por nós!