Apresentemo-nos na fornalha do amor de Deus!

 

Já estava profetizado pelo profeta Malaquias que “virá ao seu templo o Senhor que buscais” (Ml 3,1). O que fará o Senhor quando chegar ao Templo? Ele nos purificará “como se refinam o ouro e a prata” (Ml 3,3). Como se refinam o ouro e a prata? Submetendo-os a altíssima temperatura. De maneira semelhante, o Espírito Santo permitirá que saiam todas as nossas impurezas e que pese o ouro preciso da graça de Deus em nossas vidas. O que acontecerá depois desse processo: os cristãos “serão para o Senhor aqueles que apresentarão as ofertas como convêm” (Ml 3,3). Nós somos um povo consagrado ao louvor de Deus e para fazer as obras de Deus: não nos esqueçamos de que Deus nos quis para si e para os outros!

Passar pelo fogo purificador do Espírito Santo fará com que passemos bem longe do fogo do inferno. Na prática, como Deus trabalha a nossa purificação? Através das tribulações, dos sofrimentos, da cruz. Imitamos o Senhor Jesus: “por ter ele mesmo suportado tribulações está em condição de vir em auxílio dos que são atribulados” (Hb 2,18). Lembremo-nos que as tribulações nos fazem pensar, aprofundar e aprender; são lições de vida que doem no momento, mas, depois, quando tivermos a perspectiva necessária para julgar, veremos que Deus nos educou bem: como filhos, não como bastardos!

Esses elementos aparecem no Evangelho da festa da Apresentação do Senhor: Jesus é levado ao Templo para ser apresentado, mas lá já o esperavam duas pessoas purificadas pelo fogo do Espírito Santo: Simeão e Ana reconheceram o Senhor porque se encontravam inseridos na fornalha do amor de Deus. De Simeão, o texto diz que o “o Espírito Santo estava nele” (Lc 2,25). Quanto à Ana, “não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações” (Lc 2,37). Pois bem, o Pai sai ao encontro do seu Filho e o manifesta através desses dois membros do Povo de Israel e que eram verdadeiramente tementes ao Senhor. Maria e José foram apresentar o Menino Jesus no Templo, mas, no fundo, é o Pai que se adianta e apresenta o seu Filho ao mundo.

Mas, lembremo-nos: quem são os instrumentos? Duas pessoas guiadas pelo Espírito Santo, duas que testemunhas dos refinamentos que Deus vai fazendo na alma. Jesus é “luz para iluminar as nações” (Lc 2,32), mas essa luz chega aos outros através de nós. Que Deus nos purifique constantemente para que estejamos, durante toda a nossa vida, no fogo do Espírito Santo. Dessa maneira, “abrasados” pelo amor de Deus, Jesus Cristo iluminará a todos: nossos amigos, familiares, companheiros de profissão.

Apresentemo-nos com Cristo para que Deus se manifeste através das nossas vidas. Deixemos que Deus nos coloque na fornalha do seu amor, que ele nos purifique cada vez mais. Que nunca nos acostumemos a viver na escória do pecado. Com o ouro pesa mais que as impurezas que se incrustam nele, quando é colocado em alta temperatura, o ouro desce para o cadinho (forninho) e as escórias ficam na superfície, à vista. O problema de tudo isso é que talvez tenhamos medo de ver nossos pecados, escórias, imundícies. Que não seja assim: o que Deus quer é que nós, pecadores convencido de que o somos, lutemos contra tudo aquilo que nos afasta dele; que nos apresentamos a ele, no seu Templo.

Em efeito, quando nos apresentamos no Templo do Senhor, então começam a aparecer as escórias e vemos, juntamente com as coisas boas, as coisas que não são tão boas: vamos nos conhecendo mais e percebemos que não somos tanto quanto nos achávamos. É missão da Igreja, Templo do Senhor, colocar as pessoas em contato com Deus para que elas, em alta temperatura, deixem suas impurezas na superfície e acolham a graça de Deus no cadinho de seus corações. Se a Igreja não ajudasse mais as pessoas a verem o que está errado em suas vidas, para que consertem, então estaria falhando na sua missão evangelizadora. Nós, nessa família dos filhos de Deus, não somos como alguns psicólogos modernos que têm medo enorme de traumatizar as pessoas. À Igreja se vem para escutar a verdade, para formar o pensamento segundo Deus, para ir adquirindo os mesmos sentimentos de Jesus Cristo. Enfim, que Deus nos purifique cada vez mais, nos ilumine e nos una a si!

Pe. Françoá Costa