Outro Cristo, o mesmo Cristo!


Rezemos muito pelos sacerdotes, esses homens valiosos que deixaram tudo e seguiram o Senhor. Eles não se decidiram pelo sacerdócio porque não tinham outra coisa a fazer. Ao contrário, muitos antes de serem padres já tinham inclusive uma profissão, outros tinham as suas namoradas, outros viam um futuro intelectual brilhante diante de si, outros eram de família humilde… homens preciosos e entregues ao Amor de Deus! Os sacerdotes são conscientes de que a felicidade só se encontra no serviço de Deus e pedem insistentemente ao Senhor a graça de serem cada vez mais fiéis, já que o segredo da felicidade é a fidelidade. Os sacerdotes sabem que podem dar às pessoas de hoje o que tanto procuram: o fundamento, o centro e o fim da felicidade humana, que é Jesus Cristo.

Certa vez, João Paulo II perguntou a um jovem se ele já tinha pensado ser sacerdote. O jovem ficou surpreendido e respondeu que não, o desejo dele era ser pintor. O Papa explicou-lhe que sendo sacerdote poderia – ao pregar a Palavra de Deus e celebrar os Sacramentos – pintar magistralmente sobre o lenço do seu tempo e apresentar a Deus um quadro maravilhoso. “Apenas terá mudado – disse-lhe o Papa – de sala de exposição”. O jovem deixou a pintura para preparar-se para ser padre. Que visão tão positiva do sacerdócio!

Como no Evangelho de hoje, Jesus continua vendo que o povo se comprime ao redor dele para escutar a palavra de Deus. Não é magnífico ver no nosso querido Brasil tanta gente nas nossas igrejas, também nas comunidades evangélicas, querendo ouvir a palavra do Senhor? Graças a Deus, o povo brasileiro tem sede de Deus! Quando se observa outros ambientes, penso especialmente na velha Europa, e se vê o cansaço também em relação às coisas de Deus, entende-se a afirmação de que a nossa América é o Continente da Esperança. E o Brasil com o verde estampado até na bandeira, não fica para trás: País da esperança! Terra de Santa Cruz! Terra de Nossa Senhora Aparecida!

No panorama brasileiro onde se percebe uma grande sede de Deus, a Igreja vem recordar-nos que a palavra de Deus e as graças sacramentais chegam até nós através dos ministros de Jesus Cristo, os padres. Eles são homens escolhidos por Deus e constituídos naquelas coisas que se referem a Ele (cf. Hb 5,1). O sacerdote é um varão preparado para dar Deus aos demais. Ele mesmo é consciente da sua própria fraqueza, sabe-se um vaso de barro, mas sabe também que Deus quer utilizar esse pobre vaso, esse pobre instrumento, para derramar as suas graças sobre a humanidade. Quando o padre celebra a Missa, é Cristo quem a celebra; quando o padre absolve, é Cristo quem absolve; quando o padre batiza, é Cristo quem batiza. Ele dá a sua voz, as suas mãos e todo o seu ser a Cristo para que as graças venham sobre os fiéis e sobre toda a humanidade através dele e apesar dele. O sacerdote é um servidor da causa de Deus e, portanto, cada vez que ele celebra os sacramentos, estes acontecem infalivelmente: não importa o estado do sacerdote, ainda que ele esteja em pecado mortal, ele batiza, absolve, consagra. Logicamente, um sacerdote que celebra os sacramentos em pecado mortal comete pecado grave, mas nem por isso a palavra de Deus e os sacramentos deixam de atuar para o bem de todo o povo de Deus. O “bom Deus”, essa era a expressão que o Cura d’Ars gostava de utilizar para referir-se ao Senhor, cuida do seu povo através dos seus sacerdotes. Como São Pedro, eles são os primeiros a dizer, “Senhor, sou um pecador” (cf. Lc 5,8), mas Jesus lhes diz constantemente: “Eu vos faço pescadores de homens, não temais!” (cf. Lc 5,10).

A vocação sacerdotal pode parecer uma loucura e algumas moças talvez até diriam que é um desperdício de rapazes. Verdadeiramente, a vocação sacerdotal é uma “loucura de amor”. Não se trata de deixar de amar, mas de ser um aristocrata do amor. O coração do sacerdote é grande demais para ser entregue a uma só mulher, daí a necessidade que ele tem de entregar-se a todos num serviço sacrificado e alegre, todos encontram lugar no coração do sacerdote: mulheres, homens, crianças, velhos e velhas, jovens, pobres e ricos. Todos, ao passar pelo coração do padre, chegam ao coração de Deus. Que durante esse ano de graça amemos mais o sacerdócio de Jesus Cristo e que muitos jovens se deixem contagiar com essa loucura do amor e se decidam a “amar o Amor”.


Pe. Françoá Costa