Alegria no apostolado

Todo cristão deve ser apóstolo. Trata-se de uma exigência do próprio batismo. Caso não tenhamos o desejo de aproximar as pessoas de Deus, de leva-las às fontes da graça, de sofrer e rezar pela salvação delas, perguntemo-nos se realmente amamos a Deus e se estamos convencidos da fé que professamos e vivemos. Na verdade, se a nossa fé é operativa, evangelizar será uma consequência necessária. Deveríamos vibrar, alegrar-nos verdadeiramente por cada pessoa que entra na Igreja, essa comunidade de salvação.

A fé é o melhor presente que se pode oferecer a alguém. Diante dos valores da fé até a vida se relativiza, todos os mártires de Cristo mostraram que isso é assim mesmo. Nós, católicos, precisamos estar mais convencidos de que temos na Igreja toda a verdade e de que podemos fazer um grande bem à humanidade ao oferecer-lhe Cristo, a Verdade (cfr. Jo 14,6). Por outro lado, saber-se na Casa da Verdade, que é a Igreja, não nos autoriza a ser intolerantes com as pessoas. É certo: a Igreja é “a coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15), mas nós não somos donos da verdade, mas os seus servidores, nem personificações da verdade. Ademais, a nossa vida não se modela sempre pela verdade que conhecemos, professamos e amamos… basta pensar nos nossos próprios pecados.

Apesar dos pesares e em plena luta por alcançar a santidade, devemos estar sempre prontos para ganhar novas almas para Cristo. Como? Eu acho que umas das características mais notáveis dos apóstolos do século XXI deveria ser a alegria da fé. Quando os outros virem que nós estamos alegres por ser cristãos, verdadeiramente contentes e desejosos de participar da Missa, que a confissão passou a ser para nós o “sacramento da alegria”, que somos bem educados, que não “damos patadas” e procuramos não andar de cara fechada, que nos preocupamos por eles, que somos pessoas que sabem amar de verdade, então se convencerão do poder transformador do cristianismo, não só no âmbito pessoal, mas também em todas as esferas sociais.

Não faz muito tempo encontrei um panfleto titulado “apostolado do sorriso”. Gostei! Entre outras palavras, dizia: “é suficiente um leve sorriso nos seus lábios para levantar o coração, para manter o bom-humor, conservar a paz da alma, ajudar a saúde, embelecer o rosto, despertar os bons pensamentos, inspirar obras generosas”. Como a bondade e a simpatia atraem! Os outros se convencerão de que, apesar dos nossos numerosos problemas, há alguém que nos mantêm felizes e risonhos. Eles buscarão descobrir o segredo da nossa felicidade e nesse momento… estaremos mais felizes. Por quê? Uma pessoa a mais se interessa pelo Deus da nossa alegria!

Que pena! Os escribas e os fariseus não pensavam assim! Eles ficaram murmurando quando Jesus acolheu os pecadores. O filho mais velho, aquele que sempre estava na casa do pai, que ficou chateado quando o seu irmão voltou ao lar, representa não só cada fariseu triste pela atitude de Jesus, mas também representa a cada um de nós quando, vivendo há tantos anos na casa do Pai, na Igreja, perde a capacidade de admirar-se, surpreender-se e alegrar-se pela conversão de um novo adepto à causa de Deus.

Aquele panfleto do “Apostolado do sorriso” terminava assim: “o teu sorriso pode levar esperança e abrir horizontes aos agoniados, aos deprimidos, aos descoraçoados, aos oprimidos, aos tentados e aos desesperados. O teu sorriso pode ser o caminho para levar as almas à fé. O teu sorriso pode ser o primeiro passo para levar um pecador a Deus. Mas, sobretudo, sorri à Santíssima Trindade. Sim, sorri às três Pessoas que moram na tua alma, enquanto aceitas com amor tudo o que elas te enviam e merecerás também o radiante sorriso delas, que será a tua felicidade nesta e na outra vida”.

Sorri! Motivos? Temos de sobra: somos filhos de Deus, membros da Igreja, amigos de Deus, evangelizadores de Jesus Cristo, homens e mulheres de oração, pecadores perdoados por Deus, crucificados com Cristo através das constantes tribulações. Sorrimos porque somos felizes, porque Deus mora na nossa alma, porque queremos conquistar a todos para Deus. Tribulações, angústias, perseguições, fome, nudez, perigos (cfr. Rm 8,35), nem diabos… nada, absolutamente nada, poderá separar-nos do amor de Deus nem roubar a nossa alegria evangelizadora.

Pe. Françoá Costa