RITOS INICIAIS

 

Salmo 104, 3-4

ANTÍFONA DE ENTRADA: Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor. Buscai o Senhor e o seu poder, procurai sempre a sua face.

 

Introdução ao espírito da Celebração

 

A vida de cada um de nós há-de ser uma caminhada para o Céu. Ali nos espera o prémio da vitória.

Para o alcançarmos temos de lutar. Uma luta dentro de nós. É o bom combate da fé, de que fala S.Paulo na segunda leitura de hoje.

Na Santa Missa vimos renovar o nosso empenho por ser santos e enchendo-nos da força de Cristo.

 

Reconheçamos os nossos pecados, as feridas da nossa alma e peçamos perdão ao Senhor para que nos cure e purifique.

 

ORAÇÃO COLECTA: Deus eterno e omnipotente, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade; e para merecermos alcançar o que prometeis, fazei-nos amar o que mandais. Por Nosso Senhor…

 

 

LITURGIA DA PALAVRA

 

Primeira Leitura

 

Monição: Deus escuta a oração do humilde. A humildade é condição fundamental para a oração bem feita.

 

Ben-Sirá 35, 15b-17.20-22a (grego: 12-14.16-18)

 

15bO Senhor é um juiz que não faz acepção de pessoas. 16Não favorece ninguém em prejuízo do pobre e atende a prece do oprimido. 17Não despreza a súplica do órfão nem os gemidos da viúva. 20Quem adora a Deus será bem acolhido e a sua prece sobe até às nuvens. 21A oração do humilde atravessa as nuvens e não descansa enquanto não chega ao seu destino. 22aNão desiste, até que o Altíssimo o atenda, para estabelecer o direito dos justos e fazer justiça.

 

A leitura é tirada do corpo do livro de Ben Sira (2 – 43), uma longa amálgama de conselhos morais e sábias sentenças. Neste trecho, ao mesmo tempo que se fala das boas disposições de Deus para quem o invoca, também põe em evidência as condições de uma boa oração: confiança, perseverança e humildade: «A oração do humilde atravessa as nuvens» (v. 21).

 

Salmo Responsorial

Sl 33 (34), 2-3.17-18.19.23 (R. 7a)

 

Monição: Neste salmo louvamos o Senhor que escuta a nossa oração e nos conforta em todas as angústias.

 

Refrão:        O POBRE CLAMOU E O SENHOR OUVIU A SUA VOZ.

 

Ou:               O SENHOR OUVIU O CLAMOR DO POBRE.

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor,

escutem e alegrem-se os humildes.

 

A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,

para apagar da terra a sua memória.

Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,

livrou-os de todas as angústias.

 

O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado

e salva os de ânimo abatido.

O Senhor defende a vida dos seus servos,

não serão castigados os que n’Ele confiam.

 

Segunda Leitura

 

Monição: S. Paulo escreve a Timóteo e lembra que a sua vida, que está chegar ao fim, a ofereceu toda ao Senhor, trabalhando para que a mensagem do Evangelho chegasse a toda a parte.

O Senhor dará o prémio da vida eterna a ele e a todos os que esperam com amor a Sua vinda.

 

Timóteo 4, 6-8.16-18

Caríssimo: 6Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. 7Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. 8E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia; e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. 16Na minha primeira defesa, ninguém esteve a meu lado: todos me abandonaram. Queira Deus que esta falta não lhes seja imputada. 17O Senhor esteve a meu lado e deu-me força, para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todas as nações a ouvissem; e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste. Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Amen.

 

Temos hoje a parte final da 2ª Carta enviada a Timóteo desde um calabouço em Roma, onde aguardava o seu iminente martírio, no termo do seu 2º cativeiro romano.

6 «Eu já estou oferecido em libação», isto é, «estou a chegar ao momento de derramar o meu sangue em sacrifício». A expressão deve entender-se à luz do costume pagão de fazer libações (sacrifícios que consistiam no derramamento ritual de líquidos em honra da divindade), por ocasião da morte de alguém. Com esta maneira de falar, S. Paulo quer dizer que já chegou a hora da sua morte. Pode significar também que a sua morte violenta – com derramamento de sangue por Cristo e em união com Ele – tem um certo carácter sacrificial, por se tratar de uma imolação em honra de Deus.

«O tempo da minha partida (à letra: o desprender das amarras, isto é, a morte) está iminente». Estamos seguramente no ano 67, ano do martírio do Apóstolo.

7-8 «Combate… carreira… coroa…»: mais uma vez aparece a bela maneira paulina de apresentar a vida cristã como um desporto sobrenatural, através das imagens duma luta, duma corrida e dacoroa a ser atribuída por um árbitro; este é Deus, que contempla a competição e atribui o prémio. Era costume honrar os vencedores dos certames com coroas tecidas de agulhas de pinheiros, ou de folhas de louro ou oliveira; a coroa também podia, como hoje, pertencer às honras fúnebres. Esta imagem da coroa já designava então a vida eterna na bem-aventurança do Céu, como prémio de uma vida santa; é dita uma «coroa de justiça», por ser atribuída a quem praticou a justiça, ou obras justas, isto é, de acordo com a vontade de Deus. Mas a ideia de retribuição devida aos méritos também fica patente no texto, pois o prémio é dado por aquele que é o «justo juiz»: Deus remunerador, perante quem todos teremos de prestar contas, «naquele dia», o da «sua vinda», à letra, o da a sua manifestação(epifáneia); «com efeito, todos havemos de comparecer perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba conforme aquilo que fez de bem ou de mal, enquanto estava no corpo» (2 Cor 5, 10).

17 «E todos as nações a ouvissem». Esta tradução não é a seguida habitualmente pelos comentadores, pois não parece que haja aqui uma referência à pregação da «mensagem do Evangelho» (o texto original fala simplesmente de pregação, sem mais: kérygma); parece referir-se antes a um testemunho dado provavelmente no julgamento público, ouvido «por todos os gentios» (e não por «todas as nações», como diz a actual tradução bíblica revista). Tratar-se-ia de um testemunho de tal modo convincente, que levou ao adiamento da sentença: e eu fui libertado da boca do leão, isto é, da morte (cf.Salm 21 (22), 22).

 

Aclamação ao Evangelho       

 2 Cor 5, 19

 

Monição: Jesus ensina-nos a rezar com humildade e confiança, para que Deus nos escute. Aclamemos a Sua Palavra e ouçamos com atenção.

 

ALELUIA

 

Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo e confiou-nos a palavra da reconciliação.

 

 Evangelho

 

Lucas 18, 9-14

9Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: 10«Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. 11O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. 12Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. 13O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. 14Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

 

A parábola do fariseu e do publicano, exclusiva de Lucas, é uma forma de Jesus ensinar a humildade, a atitude fundamental com que o homem tem de se apresentar diante de Deus para ser atendido.

11 «Meu Deus, dou-Vos graças». Temos um exemplo da «oração dos hipócritas» (Mt 6, 5). O que o fariseu faz não é propriamente rezar, mas gabar-se; não dialoga com Deus, fala consigo. Ele também tem pecados, mas a sua soberba não o deixa ter a hombridade de os reconhecer. Para ele, os maus são os outros, com quem se compara – «não sou como este publicano» –; sente-se com autoridade para julgar, e condena os outros. Apoia-se nas suas pretensas boas obras e, ao não se apoiar na misericórdia de Deus, sai do templo em pecado. Justifica-se a si mesmo e sai por justificar, pois só Deus pode tornar o homem justo. Ele agradece a Deus, mas, no fundo, o que ele pensa é que Deus é quem lhe deve estar agradecido!

14 Pelo contrário, a oração humilde do pecador, que reconhece sinceramente as suas culpas e se arrepende, comove o coração de Deus: «Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa». A doutrina que S. Paulo havia de desenvolver sobre a justificação pela fé e não pelas obras vai na linha do ensino desta parábola.

 

Sugestões para a homilia

 

1) Tende compaixão de mim

2) Combati o bom combate

3) A coroa da justiça

1) Tende compaixão de mim

Jesus apresenta-nos o exemplo do publicano, considerado pecador, como exemplo de oração humilde que Deus não deixa de escutar. Podemos facilmente cair na situação do fariseu orgulhoso, que vai ao templo para se gabar diante de Deus, desprezando os outros. Quando alguém está cheio de si mesmo não pode abrir-se à graça.

Isto pode acontecer na oração e também na confissão. Podemos chegar junto do sacerdote e apresentar as coisas boas que fazemos e acusar os pecados dos outros. Assim fechamo-nos à graça e ao perdão de Deus. Saibamos examinar-nos com sinceridade, chamando os bois pelo nome e reparando nas faltas que nos parecem pequenas mas que ofendem a Deus.

Devemos sempre começar dizendo: padre, acuso-me disto e disto… Não nos desculpemos. Saibamos bater no peito como o publicano e receberemos o perdão do Senhor e encontraremos a alegria que Deus quer dar aos humildes.

«Deus resiste aos soberbos e dá a sua graça aos humildes» (1 Ped 5, 5) – diz-nos a Sagrada Escritura. Hoje que o orgulho e a vaidade imperam por toda a parte precisamos de cultivar com mais empenho a humildade. Santa Teresa de Ávila dizia que a humildade é a verdade. Se alguma coisa temos de bom foi Deus que no-lo deu. Temos de lho agradecer. De nosso temos apenas os pecados. Havemos de os reconhecer e pedir perdão ao Senhor, que nos perdoa e nos limpa e nos enche da Sua graça.

2) Combati o bom combate

S. Paulo, nos finais da vida, em Roma, escreve a seu discípulo Timóteo consciente de que a sua carreira estava a chegar ao fim. Não o assustava a morte nem o martírio que se aproximava. E pode exclamar: «Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé».

Toda a vida, após a conversão, foi gasta ao serviço de Cristo, espalhando por toda a parte a Sua doutrina, sem se poupar a sacrifícios, sem medo das perseguições.

Também nós temos o nosso combate na vida de cada dia. Em primeiro lugar dentro da nossa alma. Procurando cumprir fielmente a vontade de Deus, lutando contra os nossos defeitos, acudindo às fontes da graça, cuidando os tempos de oração, recorrendo ao sacramento da penitência com assiduidade, preparando bem o nosso encontro com Cristo na Eucaristia. É a ascese cristã, a luta diária pela santidade, o único negócio que vale a pena e que não podemos descuidar, sob pena de termos fracassado em nossa vida.

João Paulo II lembrava, ao começar o terceiro milénio, que a meta para todos os cristãos é a santidade. O mesmo tem repetido o Santo Padre Bento XVI. Por exemplo em Fátima em Maio passado.

A Igreja celebrou há dias a festa de santa Teresa do Menino Jesus. No livro História de uma alma fala do seu desejo de santidade e da consciência da sua pequenez. E descreve a sua descoberta: «Não vai Deus inspirar desejos impossíveis de realizar. Apesar da minha pequenez, nada me impede de aspirar à santidade: Não posso progredir? Terei paciência para me ir suportando como sou, com as minhas imperfeições sem conto. Mas hei-de buscar meio de chegar ao céu por algum caminhito bem direito, bem curto, por uma sendazinha inteiramente nova».

E Teresa descobre aquilo que chamou o seu ascensor divino: fazer-se pequena nos braços de Jesus. «O ascensor em que hei-de subir ao céu são os vossos braços, ó meu Jesus! Para isso não preciso crescer; pelo contrário, tenho que ser pequenina, tornar-me cada vez mais pequenina» (História de uma alma, Porto 1952, p168).

Podemos amar a Deus apesar de sermos pequenos, se pomos amor nas coisas insignificantes de cada dia. É o amor que dá valor a tudo o que fazemos. Se na Igreja há muitas funções, muitas vocações a jovem carmelita gostaria de no Corpo Místico o coração, crescendo sempre mais no amor e desempenhando assim todas as vocações (Ib., p237).

Para sermos santos contamos com a ajuda do Espírito Santo que Jesus nos enviou no dia do nosso baptismo e depois na confirmação. È Ele que nos faz santos.

Temos de contar com Ele, deixar-nos modelar por Ele. Para nos fazer santos conta com a nossa docilidade. O pecado mortal expulsa-O da nossa alma: o pecado venial estorva a Sua acção em nós. Por isso temos de converter-nos, tirar os obstáculos à acção do Paráclito. Deus que quer divinizar-nos. Peçamos ao Divino Santificador que nos dê um horror muito grande ao pecado mesmo venial. Ele é a única desgraça que verdadeiramente nos pode acontecer. Porque nos leva a perder a Deus e a rejeitar o Seu amor e a Sua salvação.

A luta pela santidade anda unida ao apostolado. O Senhor enviou os Doze por todo o mundo a espalhar a Boa Nova. Enviou a Paulo depois de convertido e a tantos outros que foram colaboradores dos Apóstolos e seus sucessores. Mas envia também todos os Seus discípulos a espalhar a mensagem de salvação entre aqueles que os rodeiam. Assim fizeram os primeiros cristãos, como nos relata o Livro dos Actos dos Apóstolos. O cristianismo espalhou-se rapidamente pelo Império Romano. Apesar das perseguições e apesar do ambiente de podridão que reinava em muitas cidades romanas.

O exemplo daqueles homens e mulheres que levavam uma vida limpa, que amavam até os seus inimigos, que iam para o martírio a cantar com alegria impressionava os que os viam e a sua palavra corajosa e cheia de entusiasmo ia dando a conhecer Jesus e conquistava para Ele novos seguidores.

Temos de imitar esses irmãos nossos e transformar o mundo para Cristo. Este mundo tantas vezes apodrecido nos vícios, que não satisfazem o coração humano.

Que todos nós saibamos combater o bom combate e guardar a fé, tesouro maravilhoso que o Senhor nos confiou e que temos obrigação de comunicar aos outros.

3) A coroa da justiça

O cristão sabe que vale a pena. Está-nos reservada a coroa da justiça, o prémio da santidade, que Deus quer dar a todos os que tiverem esperado com amor a Sua vinda. Espera-nos a felicidade do Céu se somos fiéis. E encontraremos a alegria já na terra, mesmo em meio das dificuldades e dores.

Santa Teresinha do Menino Jesus morreu com uma tuberculose, que na época era muito difícil de curar. E sofreu com alegria as muitas dores que acompanharam os seus últimos anos. Conta ela na História duma alma que na Quinta feira Santa, pouco tempo antes de morrer, estivera em adoração à Santíssima Eucaristia até à meia noite. Ao deitar-se veio-lhe à boca uma golfada de sangue. Dormiu tranquilamente mas repetiu-se na noite seguinte. Teresa dá conta da gravidade da doença e da proximidade da morte. Fica cheia de alegria interior. É o esposo divino que bate à sua porta a chamá-la para Ele.

«Era nessa conjuntura tão viva e tão clara a minha fé que o pensamento do Céu me inebriava de contentamento» (Ib.p172).

Dentro de dias a Igreja convida a contemplar a multidão incontável dos nossos irmãos que já alcançaram a glória do Céu. Eles animam-nos com o seu exemplo, apoiam-nos com a sua intercessão. E dizem-nos que o único que vale a pena é amar a Deus, ser santo, combatendo o bom combate da fé e do amor. Apesar das nossas falhas e derrotas: se lutamos e nos arrependemos com a humildade do publicano e começamos de novo apoiados na graça de Deus.

Pelo baptismo tornámo-nos filhos de Deus e herdeiros do Céu, da Sua riqueza infinita. Se vivemos como Seus filhos, já temos a Deus e Sua riqueza infinita. O Céu começa já na terra.

Um dia acabarão as dores, as penas. Será a felicidade plena que não termina e que não cansa.

Que a Virgem do Rosário nos anime a olhar para o Céu e combater cá na terra o bom combate da fé.

 

 

LITURGIA EUCARÍSTICA

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Olhai, Senhor, para os dons que Vos apresentamos e fazei que a celebração destes mistérios dê glória ao vosso nome. Por Nosso Senhor…

 

SANTO

 

Monição da Comunhão

 

Alimentando-nos da Palavra de Jesus e do Pão da Vida eterna podermos vencer todos os combates.

 

Salmo 19, 6

ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Celebramos, Senhor, a vossa salvação e glorificamos o vosso santo nome.

Ou:    Ef 5, 2

Cristo amou-nos e deu a vida por nós, oferecendo-Se em sacrifício agradável a Deus.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Fazei, Senhor, que os vossos sacramentos realizem em nós o que significam, para alcançarmos um dia em plenitude o que celebramos nestes santos mistérios. Por Nosso Senhor…

 

 

RITOS FINAIS

 

Monição final

 

Vamos partir mais animados em lutar pela santidade e estender o Reino de Cristo por toda a parte.

 

 

HOMILIAS FERIAIS

 

30ª SEMANA

 

2ª Feira, 28-X: Levantar os olhos para o céu.

Ef 4, 32- 5, 8 / Lc 13, 10-17

Apareceu então uma mulher com um espírito que a tornava enferma havia dezoito anos: andava curvada.

Esta mulher, que andava curvada (Ev.), é o símbolo daqueles que não conseguem levantar os olhos do chão e olhar para cima, para contemplar a Deus.

Cristo quer ajudar-nos a levantar: «entregou-se a si mesmo por nós, oferecendo-se como vítima agradável a Deus» (Leit.). Deste modo nos libertou das escravidões e nos tornou filhos de Deus. É altura de nos comportarmos como verdadeiros filhos de Deus: «agora sois luz pela união com o Senhor. Comportai-vos como filhos da luz» (Leit.). Agradeçamos a Nª Senhora o seu fiat, que nos obteve a graça da filiação divina.

 

3ª Feira, 29-X: O fermento na vida familiar.

Ef  5, 21-33 / Lc 13, 18-21

O Reino de Deus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e meteu em três medidas de farinha.

Nós somos enviados pelo Senhor para sermos o fermento, que faz crescer o amor de Deus no ambiente que nos rodeia. Para que o fermento mantenha a sua força é necessária a união com Cristo.

De um modo particular poderíamos ver como se pode ser melhor fermento na vida familiar (Leit.). O modelo que nos é apresentado é o amor com que Cristo amou a Igreja: «Ele entregou-se à morte por ela, a fim de a santificar» (Leit.). Cada dia há oportunidade de os esposos se entregarem mais: na ajuda mútua, no carinho, na amabilidade, etc. Pedimo-lo á Sagrada Família de Nazaré.

 

4ª Feira, 30-X: A porta estreita e a porta do Céu.

Ef 6, 1-9 /Lc 13, 22-30

Senhor, são poucos os que se salvam? Jesus disse aos presentes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita.

A vontade de Deus é que todos se salvem. Mas pede-nos que entremos pela porta estreita. Esta afirmação é um apelo urgente à conversão pessoal (CIC, 1036). Mas também é dirigida às famílias: os pais e os filhos têm uma série de deveres a cumprir (Leit.).

O nosso caminho de salvação passa pela Porta do Céu. Este título atribui-se a Nª Senhora, dada a sua união íntima com o seu Filho e pela sua participação na plenitude do poder e misericórdia de Cristo. De igual modo, através da sua poderosa intercessão, obtém-nos os auxílios necessários para chegarmos ao Céu.

 

5ª Feira, 31-X: S. Simão e S. Judas: Todos participamos na construção da Igreja.

Ef 2, 19-22 / Lc 6, 12-19

E, em união com Ele, também vós sois integrados na construção, para vos tornardes, no Espírito Santo, habitação de Deus.

A Igreja continua a ser construída sobre o alicerce dos Apóstolos (Leit.), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo (CIC, 857). S. Simão e S. Judas andaram, segundo a Tradição, pelo Egipto, Mesopotâmia e Pérsia, onde sofreram o martírio.

Todos estamos integrados na construção da Igreja: «Todos os membros da Igreja, embora em diversos modos, participam deste envio» (CIC, 863). Nossa Senhora também participou como templo de Deus, quando levou no seu ventre o Verbo encarnado.

 

6ª Feira, 01-XI: Generosidade para com o próximo.

Filip 1, 1-11 / Lc 14, 1-6

Jesus tomou a palavra e disse aos doutores da Lei e aos fariseus: É permitido ou não fazer curas ao Sábado?

Jesus lembra que o serviço do próximo não viola o repouso sabático, e é muito importante: «O homem, a única criatura que Deus quis por si mesmo, não pode encontrar-se plenamente senão por um dom sincero de si mesmo» (GS, 24).

S. Paulo dá um belo exemplo desse serviço: Lembra-se de todos nas suas orações; tem saudades deles; pede pela sua perseverança, confiado na ajuda de Cristo (Leit.). Imitemos a generosidade de Nª Senhora para com o próximo: na atenção de sua prima S. Isabel e nas bodas de Caná.

 

Sábado, 02-XI: Por que a morte é um lucro.

Filip 1, 18-26 / Lc 14, 1. 7-11

É que para mim, viver é Cristo, e morrer um lucro.

A morte de Cristo é também um lucro para nós: «Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo o realizou e só voltou ao Pai, depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos» (J. Paulo II).

Se temos fé, a nossa própria morte é um lucro, porque ela é a chave que nos abre a porta do reino dos céus. Sigamos o conselho do Senhor: «pois todo aquele que se eleva será humilhado, e o que se humilha será elevado» (Ev.). Ao participarmos na Missa procuremos ter as mesmas disposições de Nª Senhora no Calvário (Cura d’Ars).

 

 

 

 

 

 

Celebração e Homilia:         CELESTINO CORREIA FERREIRA

Nota Exegética:                    GERALDO MORUJÃO

Homilias Feriais:                  NUNO ROMÃO

Sugestão Musical:                DUARTE NUNO ROCHA